Ataques nucleares

‘Terceira Guerra Mundial’ poderia ser o fim da vida na Terra, diz professor

Guerra da Ucrânia completa um ano ainda com tensões sobre uma nova escalada do conflito

Por Gabriel Rodrigues
Publicado em 24 de fevereiro de 2023 | 06:00
 
 
 
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“Terceira Guerra Mundial” foi um termo recorrente desde o início do conflito na Ucrânia, com a tensão de que, se houvesse ataques diretos da Rússia ou aliados a países-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), um contra-ataque militar seria inevitável e poderia desencadear um conflito bélico global. Não foi o que ocorreu neste primeiro ano de combate. O temor de uma escalada inclusive nuclear, entretanto, não está fora da mesa e sua sombra, até então, evita um crescimento do conflito.

O professor de relações internacionais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Dawisson Belém Lopes confirma que uma nova guerra mundial chegou a ser cogitada. Mas ele lembra que, devido ao elevado risco implicado nesse cenário, a maioria dos analistas descartou a hipótese desde o princípio. “A Rússia tem ogivas nucleares em um quantitativo tal que permitiria que ela destruísse algumas vezes a vida na Terra. Como o risco de destruição de aniquilação total da vida humana é alto, os atores tendem a ser mais cuidadosos. Isso explica por que temos tido uma evolução,até este momento, controlada, territorialmente restrita às zonas de conflito na Ucrânia, basicamente. Por isso, há uma relutância muito grande de outros atores de se envolver diretamente no teatro de operações e de batalha”, avalia.

O número oficial de armas nucleares da Rússia não é conhecido, mas a Sociedade dos Cientistas Americanos estima que o país possui 5.977 armas. Já a Otan tem 5.943 artefatos, de acordo com a mesma instituição. As ameaças russas são recorrentes. No início deste ano, um aliado de Putin disse que uma derrota do país na Ucrânia poderia engatilhar uma guerra nuclear.

O apoio da Otan à Ucrânia tem sido cada vez mais militar, com envio de armas para o país europeu. É uma manobra perigosa, examina o diretor do Instituto de Ciências Sociais da PUC Minas, Danny Zahreddine. “Isso tudo muda a escala da guerra e coloca na linha de frente a Rússia contra os EUA e os países europeus. O equilíbrio é muito tênue. O erro humano, o medo, uma decisão equivocada, a precipitação na tomada de decisão, tudo isso pode tornar uma disputa mais controlada em uma escalada sem controle. O ex-presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, disse que nenhuma potência nuclear está disposta a capitular. Ela pode usar seu arsenal caso perceba uma ameaça à sua sobrevivência, à sua força e à sua presença política. Existe possibilidade de a guerra sair do controle? Existe”, enfatiza.

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