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Testada com sucesso primeira turbina de gás alimentada com hidrogênio

Projeto abre caminho para a descarbonização de locais como fábricas de cimento, grandes consumidores de energia

Por Agências
Publicado em 11 de outubro de 2023 | 14:51
 
 
 
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Uma turbina a gás alimentada exclusivamente com hidrogênio foi testada com sucesso, pela primeira vez, abrindo caminho para a descarbonização de locais como fábricas de cimento, grandes consumidores de energia, anunciou o consórcio responsável pelo projeto, nesta quarta-feira (11). 

"Acabamos de conseguir um marco mundial ao injetar 100% de hidrogênio em uma turbina a gás para produzir eletricidade", celebrou o vice-diretor geral da companhia francesa Engie, Frank Lacroix, em conversa com a imprensa.

Esta empresa faz parte do consórcio Hyflexpower junto com a alemã Siemens Energy, a britânica Centrax e várias universidades europeias. 

O experimento foi realizado em uma fábrica de papel perto de Limoges (centro da França) e demonstra, segundo seus promotores, que "o hidrogênio pode servir como um meio flexível de armazenamento de eletricidade", assim como as baterias, o que abre perspectivas para a rápida descarbonização de sítio industriais que sejam altos emissores de CO2. 

"Agora já somos capazes de aproveitar a superprodução de energia renovável elétrica (na forma de hidrogênio), armazená-la em um local e utilizá-la na forma de eletricidade na indústria", explica Lacroix. 

O hidrogênio foi produzido por um eletrolisador instalado em uma unidade do fabricante de embalagens de papel Smurfit Kappa e, depois, armazenado em um depósito antes de alimentar a turbina. 

O experimento aconteceu com um modelo de turbina a gás Siemens Energy SGT-400, cujo sistema de combustão foi adaptado para hidrogênio, uma manobra parecida com a troca de carburador no motor de um automóvel, acrescentou. 

Diferentemente do gás, o hidrogênio tem uma chama "mais rápida" e "mais quente", e o controle de segurança também é mais delicado. 

Foi preciso superar problemas relacionados com a resistência dos materiais e com o revestimento da câmara de combustão, além de "ajustes específicos" para controlar a combustão, segundo Lacroix. 

"A vantagem no longo prazo é poder converter parques de turbinas existentes, mediante modificações simples", afirmou o diretor do projeto Hyflexpower na Engie Solutions, Gaël Carayon. 

Os primeiros alvos são as cimenteiras, siderúrgicas e refinarias e, em geral, "indústrias, cuja descarbonização é complexa", segundo Engie. 

"O próximo passo será produzir não apenas eletricidade, mas também calor", antecipou Lacroix. 

Mais à frente, os grandes meios de transporte intercontinentais - a aviação e o transporte marítimo - também poderão se beneficiar dessa tecnologia.

(AFP)
                
 

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