Crise

Tribunal proíbe Evo Morales de concorrer nas eleições presidenciais da Bolívia

Decisão da alta corte estabelece que o presidente e o vice-presidente não podem exercer um mandato mais de duas vezes, de forma contínua ou descontínua

Por Agência
Publicado em 30 de dezembro de 2023 | 17:19
 
 
 

O Tribunal Constitucional Plurinacional da Bolívia(TCP) inabilitou o ex-presidente Evo Morales como candidato à Presidência em 2025, após anular a figura da reeleição indefinida que permitiu ao líder indígena recandidatar-se em 2019.

"A restrição à possibilidade de reeleição indefinida é uma medida idônea para assegurar que uma pessoa não se perpetue no poder", indica a decisão, de 82 páginas, publicada neste sábado no site do tribunal.

Esta decisão reverte outra medida adotada em 2017 por este mesmo tribunal, a mais alta instância em consultas constitucionais, que havia considerado a reeleição como um "direito humano". 

A nova decisão é irrecorrível e Morales a qualificou como "política". "É a prova da cumplicidade de alguns magistrados com o plano obscuro que o governo executa por ordem do imperialismo com a conspiração da direita boliviana", escreveu o ex-presidente de esquerda na rede social X (antigo Twitter). 

A decisão da alta corte estabelece que o presidente e o vice-presidente não podem exercer um mandato mais de duas vezes, de forma contínua ou descontínua. 

Morales expressou seu desejo de se candidatar às eleições presidenciais em 2025 em meio a confrontos verbais com Luis Arce, atual presidente e antigo aliado político além de ministro da Economia durante quase todo seu mandato a partir de 2006. 

Para a advogada constitucionalista María Renée Soruco, da Universidade Católica San Pablo, "se a reeleição foi permitida anteriormente foi violando a própria Constituição". "É uma decisão tardia, isto não se trata de Evo Morales, se trata da defesa do Estado de Direito", acrescento Soruco. 

A resolução do TCP da Bolívia foi amparada em uma revisão dos critérios da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que exclui a reeleição como direito humano. 

Em 2021, este órgão judicial autônomo internacional emitiu uma opinião consultiva, a pedido do governo da Colômbia, sobre a reeleição indefinida. 

Evo Morales renunciou à Presidência em 2019 em meio a uma convulsão social que eclodiu após acusações de fraude eleitoral. Após sair do país, ele foi substituído por Jeanine Añez, que atualmente enfrenta julgamentos e condenações por um suposto golpe de Estado. 

"O TCP põe ponto final ao delírio de Evo Morales de reeleger-se para sempre", escreveu Añez em sua conta na rede social X. 

Na mesma linha, o líder da bancada da oposição Carlos Mesa indicou: "Evo Morales e (o então vice-presidente Álvaro) García Linera violaram a Constituição (...) com a cumplicidade do TCP".  (AFP)

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