no tribunal

Trump enfrenta depoimento de seu ex-advogado em julgamento civil

Ex-presidente é acusado de ter superfaturado suas propriedades para obter empréstimos mais vantajosos com bancos

Por Agências
Publicado em 24 de outubro de 2023 | 15:34
 
 
 

O ex-presidente Donald Trump chegou, nesta terça-feira (24), ao seu julgamento por fraude civil em Nova York e qualificou o seu ex-braço direito Michael Cohen como "mentiroso", antes de o advogado dar seu depoimento que pode expor os segredos comerciais de seu antigo chefe. 

Cohen tornou-se um dos críticos mais duros do ex-presidente dos Estados Unidos e principal candidato republicano com vistas às eleições de 2024. Testemunhou ante o Congresso quando Trump ainda era presidente e espera-se, agora, com grande entusiasmo seu comparecimento como testemunha no julgamento de Nova York, adiado na semana passada por motivos de saúde. 

O ex-advogado do magnata, de 57 anos, foi convocado a depor no 15º dia desse julgamento civil, que se estenderá até o Natal. 

"Ele é um mentiroso. Ele está tentando conseguir um acordo melhor para si, mas não vai funcionar", atacou Donald Trump, de 77 anos, durante sua chegada ao tribunal de Manhattan, provavelmente aludindo à condenação de Cohen por mentir perante o Congresso dos EUA, como parte do investigação sobre a interferência russa durante as eleições presidenciais de 2016.

"Minha credibilidade não deveria estar em dúvida", respondeu o ex-advogado de Trump à imprensa americana a caminho do tribunal. 

Desde que caiu nas mãos da Justiça, Cohen vem cooperando com as autoridades em vários casos e seu depoimento é esperado com impaciência no julgamento civil no qual se acusa o bilionário republicano junto de dois dos seus filhos, Eric e Donald Jr., e dois executivos da Trump Organization, de ter superfaturado em centenas de milhares de dólares seus campos de golfe, residências e arranha-céus de Nova York na década de 2010 para obter empréstimos mais vantajosos com os bancos. 

Os dois homens agora nutrem ódio um pelo outro. Em uma publicação na rede X, antigo Twitter, Cohen publicou um desenho no qual aparecia atrás do republicano, com um fundo de celas prisão e a frase "Vamos te levar de volta para a cadeia". 

Credibilidade

O ex-advogado, que se diz arrependido, será também uma das principais testemunhas de acusação em um dos quatro futuros julgamentos criminais de Donald Trump, em Nova York, em março de 2024, sobre pagamentos para encobrir assuntos embaraçosos durante as eleições presidenciais de 2016. 

Ele mesmo pagou US$ 130 mil (R$ 652,6 mil na cotação atual) à atriz pornô Stormy Daniels para manter silêncio sobre um suposto relacionamento com Donald Trump. 

Michael Cohen já foi condenado neste caso e insiste em que agiu por ordem do seu antigo chefe. 

Também está por trás do atual processo civil. Durante uma difícil aparição perante o Congresso dos Estados Unidos em fevereiro de 2019, afirmou que Donald Trump "inflou seu patrimônio quando isso convinha aos seus interesses". 

A procuradora-geral do Estado de Nova York, Letitia James, abriu um inquérito e, após três anos de investigações, entrou com um processo exigindo, entre outras coisas, uma multa de US$ 250 milhões (R$ 1,25 bilhão na cotação atual). 

Durante a investigação, Michael Cohen testemunhou sobre seu papel, confessando que tinha revisado para cima o valor de certos ativos imobiliários com o então diretor financeiro da Organização Trump, Allen Weisselberg, a pedido de Trump. 

A defesa vai insistir na falta de credibilidade de uma testemunha de reputação duvidosa, condenada pela Justiça - em particular por mentir ao Congresso americano na investigação russa.

Por sua vez, Trump retirou o processo civil que havia iniciado contra Cohen, no qual pedia 500 milhões de dólares (mais de 2,5 bilhões de reais) por danos e prejuízos. 

Mesmo que não seja condenado à prisão, o julgamento civil em Nova York ameaça desmantelar seu império bilionário.

O ex-presidente assistiu a várias audiências no tribunal de Manhattan onde não parou de atacar com virulência Letitia James, promotora democrata afro-americana, a quem qualificou como "racista" e "corrupta", ou o juiz instrutor do caso, Arthur Engoron, a quem tachou de "valentão". 

Na sexta-feira, o magistrado impôs uma multa de 5.000 dólares (pouco mais de R$ 25 mil reais) por uma publicação que insultava sua secretária, ameaçando colocar o ex-presidente na prisão, caso repetisse a atitude.   

(AFP)
                
 

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