Acílio Lara Resende

O ano de 2019 não foi fácil para ninguém

Se a economia não emplacar, podemos ter dias sombrios


Publicado em 02 de janeiro de 2020 | 03:15
 
 
 

O ano de 2019 não foi fácil para ninguém, sobretudo para os desafortunados. Por isso, para 2020, meus votos são no sentido de que a compaixão e a empatia tomem conta de todos os seres humanos no mundo inteiro, mas, em especial, no Brasil. Compaixão não é só piedade, só condolência. Tem a ver, também, com empatia. E empatia, leitor, é nos colocarmos no lugar do outro. Pois só assim sentiremos de perto o seu sofrimento. Só assim avaliaremos o tamanho da dor dos que padecem neste mundo, cujo ideal de justiça, a cada dia que passa, parece estar cada vez mais distante e mais difícil. A desigualdade dói.

A propósito, preciso dizer que, ao longo de tantos anos (não sei quantos ao certo), ainda não me aconteceu, se é que não estou enganado, de enviar os artigos de fim de ano – Natal e Ano-Novo –, como em 2019 e, por consequência, no início deste ano. Vale dizer, um dia depois das duas datas comemorativas. Tentei cumprir meu desiderato, mas acho, sinceramente, que não fui nada feliz.

No Natal, tentei ficar alheio à política, mas fui vencido por ela. O ano de 2019, apesar das eleições legítimas e democráticas de 2018, foi realmente muito pesado. Foi um ano de desagradável confronto político. A radicalização tomou conta de alguns dos seus principais atores – e entre eles se inclui, e com máximo louvor, o presidente Jair Bolsonaro, que ainda contou com a ajuda dos seus filhos.

A maioria dos brasileiros, nas eleições de outubro de 2018, enfastiada ou até mesmo revoltada contra os governos petistas, mas, principalmente, empurrada pelo combate à corrupção financeira, pela demagogia no (inadequado) combate à indispensável arte da política, elegeu um presidente sem programa definido e cujo passado (28 anos como parlamentar!) não dizia quase nada. Empunhou algumas bandeiras importantes na área da segurança e na área da economia. Nesta última, houve avanço, com a aprovação da reforma da Previdência. Todavia, essa iniciativa, com certeza, foi muito mais do Congresso Nacional do que do governo Bolsonaro. Houve avanço, igualmente, na baixa dos juros e no controle da inflação. E o desemprego, ainda bastante alto, dá sinais claros de que poderá diminuir neste ano.

A educação, a política externa, o meio ambiente e, particularmente, a cultura são áreas que deixaram muito a desejar. 

Se, neste ano de 2020, o presidente insistir numa agenda de retrocessos, influenciada por uma ideologia autoritária, e se a economia de fato não emplacar – por meio das principais privatizações, das reformas tributária e administrativa, como quer o ministro Paulo Guedes, e, finalmente, da indispensável reforma política –, poderá pôr tudo a perder e o país poderá enfrentar dias sombrios. Como enfrentaram alguns dos nossos vizinhos.

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