Matheus Vieira Campos

O futuro dos IPOs no Brasil

Mudança de atitude sobre abertura de capital em Bolsa


Publicado em 26 de outubro de 2019 | 03:00
 
 
 

A abertura do capital de empresas – conhecida por IPO, de Initial Public Offering – ainda engatinha no Brasil. Uma comparação com o mercado norte-americano demonstra a imaturidade do país nesse aspecto. Em 2018, os EUA registraram 207 ofertas iniciais, enquanto na Bolsa brasileira foram apenas três.

Os motivos são compreensíveis, afinal trata-se de um movimento arriscado, principalmente em momentos de instabilidade política e econômica. Além disso, existe uma resistência cultural aos investimentos de alto risco na sociedade brasileira, que geralmente tende a seguir caminhos mais conservadores. A pouca quantidade de investidores faz com que as ações sejam negociadas em volumes menores, tornando o processo menos atrativo.

No entanto, fato é que a entrada na Bolsa pode trazer vantagens para empresas e investidores. As organizações recebem uma injeção significativa de capital para financiar o crescimento, como foi o caso do Banco Inter, que acumulou valorização recorde de 246% desde que estreou na bolsa, no ano passado. O número de clientes do banco passou de 536 mil para 2 milhões nesse período, uma alta de 273%. Por sua vez, os investidores têm mais uma alternativa de investimento com alta possibilidade de retornos.

O “boom” dos IPOs no Brasil aconteceu em 2007, ano em que a economia nacional registrou um crescimento de 6,1% em relação ao anterior. Foram 51 ofertas iniciais e um montante de R$ 55,1 bilhão captados. Desde então, devido às instabilidades políticas, econômicas e jurídicas que o país vivenciou, esse número tem caído. Em 2017, foram nove ofertas e, em 2018, apenas NotreDame Intermédica, Hapvida e Banco Inter entraram na Bolsa.

Apesar do resultado tímido nos últimos anos, as perspectivas para o futuro são positivas. Em abril de 2019, a Centauro abriu seu capital e conseguiu captar R$ 772,2 milhões, precificando as ações a R$ 12,50. Além disso, outras empresas, como a C&A, Vivara e Banco BMG, já sinalizaram que estão prontas para dar esse passo.

Um fator que tem motivado as empresas a sair da zona de conforto e enfrentar riscos mais altos é o aumento do interesse dos investidores. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Ambima), os fundos de investimento registraram captação líquida de R$ 205,7 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, um aumento de 180% em relação ao mesmo período de 2018. A redução da taxa básica de juros da economia é um dos fatores principais que motivaram esse fenômeno.

A tendência é que as ofertas iniciais aumentem nos próximos anos. A expectativa é que o mercado reaja positivamente às reformas, como a da Previdência, transmitindo confiança. Essas mudanças sinalizam ao mercado que o rumo do país está mudando.

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