A Prefeitura de Belo Horizonte fez uma colaboração no Instagram com o jornalista e influenciador Luiz Othávio, o Zotha, em um vídeo promocional do Carnaval em que aparecem dois homens, fantasiados de Jesus Cristo e do Diabo, se beijando. A participação do Executivo na publicação gerou controvérsia entre vereadores conservadores e cristãos da cidade, que cobraram que a gestão municipal deletasse a publicação. Na manhã deste domingo (2 de março), a colaboração havia sido desfeita e, o vídeo, apagado pelo influenciador digital. A prefeitura tem reunido influenciadores para promover o Carnaval da cidade em suas redes sociais. 

A vereadora Flávia Borja (DC), que lidera a Frente Parlamentar Cristã na Câmara Municipal, divulgou uma nota de repúdio contra o fato. “Nós, da Frente Parlamentar Cristã da Câmara Municipal de Belo Horizonte, nos manifestamos em repúdio veementemente ao vilipêndio à imagem de Jesus Cristo que foi compartilhada nas redes sociais da Prefeitura de Belo Horizonte”, diz o texto. A nota ainda ressalta que a imagem de Jesus Cristo é “sagrada” para milhões de cristãos ao redor do mundo e é “um símbolo de amor, compaixão e redenção”. 

“Nós defendemos o direito à liberdade de expressão, mas também acreditamos que essa liberdade deve ser exercida com responsabilidade e respeito pelos valores e crenças das diferentes comunidades e que a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, sede do poder Executivo da nossa cidade, não deveria se prestar à esse tipo de manifestação vilipendiosa, ofensiva e que agride massivamente a população da Capital de Minas Gerais”, completa o texto.

Wanderley Porto (PRD), que também compõe a Frente, comentou na publicação repudiando o vídeo e disse ter entrado em contato com a prefeitura. “A prefeitura teve a sensibilidade de retirar a postagem no mesmo  instante que alertei o que havia acontecido. A questão é que a cena em si é um vilipêndio à fé cristã. Não estamos julgando a prática do beijo, mas a questão de querer zombar da fé, em relação à figura de Cristo. Tenho plena convicção de que o prefeito em exercício Álvaro Damião não tinha visto, assim como o corpo gestor do gabinete do prefeito”, afirma Wanderley. 

O vereador ainda pontua entender que a prefeitura “fez a parte dela” em promover uma grande festa como o Carnaval. “Assim, como o fato foi corrigido no mesmo momento em que o apresentei, não há nenhuma medida a se tomar”, ressalta.

O vereador Pablo Almeida (PL) também cobrou a prefeitura e foi às redes sociais contra a publicação. “Não podemos permitir a normalização do ataque ao cristianismo. Ainda mais quando ele vem de um vídeo publicado pelo poder Executivo do município. A prefeitura utilizou as redes sociais para propagar o vilipêndio da fé cristã fantasiado de ‘expressão cultural’”, disse. 

O movimento Direita Minas, berço de figuras como Nikolas Ferreira (PL) e Bruno Engler (PL), também se manifestou contra a publicação. “A prefeitura, atualmente sob comando de Álvaro Damião, promove um ataque aos valores Cristãos que construíram nossa civilização. E não, você não tem que respeitar essa bizarrice e quem as promove. Quem quiser respeito, que primeiro respeite. Álvaro Damião, Fuad e seus funcionários são irresponsáveis e hipócritas”, afirma o post. 

O influenciador Zotha se manifestou sobre a situação, dizendo que, se o beijo fosse entre um homem e uma mulher, não haveria tanto alarde. Veja a nota dele, na íntegra:

"Nos últimos dias, fui alvo de uma onda de ataques homofóbicos por conta de um vídeo que publiquei em colaboração com a Prefeitura de Belo Horizonte. Nele, foliões estavam fantasiados (um de Jesus, outro de Diabo) e, em um momento, esses dois homens trocaram um selinho. Algo simples, espontâneo, que faz parte da liberdade e da alegria do Carnaval. Mas isso foi o suficiente para virar munição da extrema direita, que usa a religião como pretexto para propagar ódio e intolerância.

Se fosse um casal hétero, esse vídeo não teria gerado nenhum alarde. Mas, como sempre, quando se trata do afeto entre dois homens, a homofobia grita. Grita travestida de “indignação religiosa”, como se a fé fosse um passe livre para perseguir e desumanizar. Como se a religião pertencesse apenas a um grupo e pudesse ser usada para justificar censura e violência.

Os ataques vieram pesados, e por segurança, precisei arquivar o vídeo. Mas isso não significa que eles venceram. Não passarão. Não seremos silenciados, não vamos recuar. A diversidade não será apagada. A alegria e a liberdade sempre vencerão o ódio".

Embate com o Carnaval

Vereadores da Frente Cristã da Câmara de Belo Horizonte tem feito uma ofensiva contra o Carnaval em Belo Horizonte. Conforme publicou O TEMPO, parlamentares querem proibir a passagem de blocos em ruas próximas a igrejas, templos e centros espíritas durante a folia. A medida vai constar em projeto de lei que os parlamentares pretendem apresentar para votação na Casa.

O tema foi levantado durante o primeiro ciclo de funcionamento do Plenário da Casa na Legislatura 2025/2028, entre 3 e 14 de fevereiro. O texto, porém, ainda não foi apresentado. As próximas votações acontecem somente após o Carnaval. Caso o projeto inicie a tramitação e seja aprovado, passará a valer, portanto, somente para 2026.