Minas Gerais ocupa posição de destaque no Brasil e busca se consolidar como um dos principais polos globais na cadeia de minerais críticos, considerados essenciais à transição energética. O estado concentra a maior parte das reservas nacionais de terras raras, grupo de elementos químicos indispensáveis para tecnologias de energia limpa, eletrificação de veículos, telecomunicações e equipamentos de defesa nacional.

O potencial de Minas frente às reservas de minerais estratégicos, inclusive, entrará na mesa de debates durante mais uma edição de O TEMPO Seminários - Transição Energética, no dia 27 de janeiro, em Belo Horizonte. O evento prevê um espaço de troca de experiências, conhecimentos e estratégias sobre um dos principais temas que permeiam o futuro entre lideranças empresariais. As inscrições podem ser feitas gratuitamente no Sympla.

As chamadas terras-raras englobam 17 elementos químicos. Apesar do nome, não são necessariamente escassas, mas a exploração econômica é complexa, o que as torna altamente estratégicas. Pesquisas da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostram que a reserva total calculada para Minas Gerais gira em torno de 10 milhões de toneladas de terras raras, quase a metade do total identificado em todo o território nacional. 

Araxá, no Alto Paranaíba, é o município que mais se destaca, concentrando praticamente todas as reservas do estado. Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) indicam que a cidade concentra 98,4% do total de terras-raras do estado. Destacam-se ainda Poços de Caldas, São Gonçalo do Sapucaí e Tapira, de acordo com o subsecretário de Atração de Investimentos e Cadeias Produtivas da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG), Daniel Medrado. 

“É impossível você falar de transição energética sem falar de Minas Gerais no cenário mundial. E porque Minas Gerais além de ter, obviamente uma matriz energética que seja verde, para fazer a transição energética, necessariamente os processos passam pelos minerais mais críticos e estratégicos e as principais reservas do mundo estão no Brasil e estão em Minas Gerais”, destacou Medrado. 

Ele citou como exemplo o nióbio, metal que o Brasil detém 96% das reservas mundiais. Desse total, 48 % está em Minas, principalmente na região de Araxá, sob a responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), que detém contrato de exploração com a CBMM. Outro elemento de destaque é o lítio, que tem 85% das reservas nacionais localizadas em Minas, principalmente no Vale do Jequitinhonha. 

Apesar da vasta oferta, Daniel Medrado citou que há desafios para a diversificação da cadeia mineral ainda a serem superados. Ele citou como exemplo a China, que reúne as maiores reservas do mundo, e detém tecnologias para processamento, separação e desenvolvimento de produtos acabados. “O nosso maior desafio é verticalizar a cadeia produtiva de modo que a extração mineral gere um produto de valor agregado ao estado. Os processos envolvendo terras-raras são complicados, caros e exigem avanços tecnológicos”, complementou. 

Investimentos já são realidade 

Dados da Sede-MG mostram que entre 2019 e 2025, o estado já recebeu R$ 18,12 bilhões em investimentos para o setor de minerais críticos. O volume resulta na geração de até 7,6 mil empregos diretos. O principal aporte foi feito pela Terra Brasil Minerais para implantação, em Patos de Minas, de um projeto que recebeu R$ 2,5 bilhões em valores investidos. 

Outras empresas que já possuem capital no estado são a Meteoric Resources, em Poços de Caldas, e a MTR, na mesma cidade. Daniel Medrado, subsecretário da Sede, frisou que os aportes já são executados desde a fase de pesquisas de solo, e seguem durante toda a cadeia. Para os próximos anos, ele vê um potencial de manutenção da injeção das cifras no estado. 

“A gente ainda não consegue precisar em termos de volume de arrecadação, mas o que podemos indicar é que dado o processo de transição energética, em razão das reservas de Minas Gerais, a indústria mineral tende a gerar um volume financeiro significativo para Minas Gerais nos próximos anos e não vou dizer nem até 2035. A gente tem aqui o nosso plano estadual de mineração que faz um marco para até 2040. com a mineração tendo um papel central no desenvolvimento econômico do Estado”, frisou. 

O TEMPO Seminários 

Os debates de O TEMPO Seminários serão distribuídos em painéis. O primeiro será apresentado pelo presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Reynaldo Passanezi, que falará sobre a liderança da estatal na transição energética.No segundo painel, que abordará a energia para o futuro e os desafios de regulação, planejamento e desenvolvimento regional, os participantes serão o secretário de Leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Ivo Sechi Nazareno; o presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (SIAMIG Bioenergia), Mário Campos; e o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Marcos Madureira.

A penúltima mesa redonda do seminário tratará da nova indústria verde. Neste painel, o diretor sênior de Relações Institucionais da Usiminas, André Chaves, o vice-presidente de Assuntos Regulatórios da Stellantis, João Irineu Medeiros, o CFO de Projeto de Investimento e Estratégia da ArcelorMittal Aços Longos LATAM e Mineração do Brasil, Fábio Paiva Scárdua, e o diretor de Descarbonização da Vale, João Luiz Turchetti Lara Rezende, apresentarão as ações desenvolvidas pelas organizações na busca por fontes renováveis de energia.

Encerrando a programação, o subsecretário de Atração de Investimentos e Cadeias Produtivas da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG), Daniel Medrado; a superintendente de Planejamento do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Cinthia Bechelaine; o CEO da H2 Brasil, Pedro Caçorino; e o presidente da Gasmig, Carlos Camargo de Colón, vão discutir a trajetória do Estado rumo a uma nova matriz energética.

Serviço

O seminário “Energia para o Futuro” será realizado no Centro de Convenções da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), localizado na avenida João Pinheiro, 161, no Centro de Belo Horizonte. Os interessados em assistir presencialmente às discussões devem retirar os ingressos, de forma gratuita, pela plataforma Sympla.