GOVERNO

Reforma não resolveria falta de representatividade feminina no governo, diz ministra

Cida Gonçalves defende que os partidos políticos mudem sua percepção sobre o papel das mulheres na política

Por Gabriela Oliva
Publicado em 09 de junho de 2024 | 09:54
 
 
 

BRASÍLIA - A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, acredita que uma reforma ministerial no governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não seria suficiente para aumentar a representatividade feminina no primeiro escalão.

"Vou te dizer uma coisa com muita sinceridade: acho que podemos até fazer a reforma ministerial e ampliar o número de mulheres, mas não acredito que isso vá ser tão diferente", afirmou a ministra em entrevista exclusiva a O TEMPO em Brasília.

Segundo Cida Gonçalves, é necessário que os partidos políticos mudem sua visão sobre as mulheres, pois são eles que indicam a maior parte dos ministérios em um governo como o atual. 

"Eles [os partidos] não dão os nomes das mulheres, e quando o presidente Lula pede ‘eu quero uma mulher’, eles não têm. É como se as mulheres não tivessem competência para ser ministras", enfatizou.

A ministra defende que, mais do que uma reforma ministerial, é preciso alterar a visão partidária, algo que também se reflete nas eleições.

"Quantas mulheres serão candidatas a prefeitas e quantas mulheres terão investimento do seu partido para serem eleitas? O quadro da questão das mulheres em situação de poder não passa única e exclusivamente pelo debate da nomeação de ministras, seja aqui pelo presidente Lula, para a Esplanada, para o Ministério, para o Supremo Tribunal Federal (STF) ou Superior Tribunal de Justiça (STJ). Isso ajuda, mas a grande discussão é que isso não faz a mudança cultural de comportamento que precisamos para que a estrutura política do país mude".

Falta de representatividade e pressão do Centrão

Durante as eleições de 2022, o presidente Lula enfatizou sua intenção de promover diversidade no governo e aumentar a representatividade feminina na estrutura da Esplanada dos Ministérios. No entanto, mais de um mês e meio após sua posse, ainda se observa uma escassez de mulheres no comando das pastas.

A pressão exercida pelas lideranças do Centrão na Câmara dos Deputados e no Senado Federal resultou em mudanças ministeriais. Durante pouco mais de um ano de mandato, três mulheres deixaram seus cargos. 

Duas ministras foram substituídas para dar espaço a outros indicados por partidos como o PP: Daniela Carneiro (ex-Turismo), foi sucedida por Celso Sabino do União Brasil, e Ana Moser, ex-ministra dos Esportes, foi substituída por André Fufuca (PP-MA) durante uma minirreforma ministerial.

A terceira baixa ocorreu em uma empresa pública. Rita Serrano, que ocupava a presidência da Caixa Econômica Federal, saiu do cargo, que foi assumido por Carlos Antônio Vieira, indicado também pelo Centrão e respaldado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). 

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