BRASÍLIA - Ao voltar de viagem a Honduras, nesta quinta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai receber líderes do União Brasil para tratar sobre a substituição no comando do Ministério das Comunicações e deve ser cobrado por aliados sobre a reforma ministerial.
Juscelino Filho (União Brasil) pediu demissão na terça-feira (8) após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suposto desvio de emendas durante exercício de seu mandato como deputado federal pelo Maranhão.
Lula viajou para Tegucigalpa, capital de Honduras, onde participa da 9ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) nesta quarta-feira (9).
Mesmo com a saída de Juscelino Filho, a pasta continua sob o comando do União Brasil. O mais cotado para substituí-lo é o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, do Maranhão, que é o líder da legenda na Câmara.
O parlamentar é próximo do presidente nacional da sigla, Antônio Rueda, também conta com apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O deputado é da ala governista do União Brasil e foi presidente da Agência Executiva Metropolitana durante o governo de Flávio Dino no Maranhão.
Já Juscelino é deputado federal pelo União Brasil e vai retornar à Câmara. Segundo interlocutores, ele deve assumir a liderança do partido na Casa, no lugar de Pedro Lucas.
Aumenta pressão por reforma ministerial
A expectativa também é de que a saída de Juscelino Filho abra caminho para a reforma ministerial estudada pelo presidente Lula para dar mais espaço a aliados, de olho nas eleições de 2026.
Atualmente, o União Brasil tem três ministérios: Turismo, Comunicações e Desenvolvimento Regional. Apesar disso, o partido tem um racha entre governistas e oposicionistas. Na semana passada, por exemplo, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil) lançou sua pré-candidatura à Presidência da República.
O presidente Lula precisa ainda resolver a relação com o PSD, outro partido do Centrão que está insatisfeito e busca mais espaço na Esplanada dos Ministérios. Hoje a sigla tem três ministérios: Minas e Energia, Agricultura e Pecuária e Pesca. A legenda reclama que o último é um ministério que não tem muita visibilidade e tem orçamento baixo.
Saída de Juscelino foi acordada
De acordo com carta aberta do ex-ministro e a exoneração publicada no Diário Oficial da União (DOU), Juscelino Filho pediu para sair. Ele afirmou que o gesto foi em “respeito ao governo” e alegou que vai se concentrar em sua defesa.
“Saio por acreditar que, neste momento, o mais importante é proteger o projeto de país que ajudamos a construir e em que sigo acreditando", diz trecho do comunicado.
"A decisão de sair agora também é um gesto de respeito ao governo e ao povo brasileiro. Preciso me dedicar à minha defesa, com serenidade e firmeza, porque sei que a verdade há de prevalecer”, disse.
No entanto, Juscelino tomou a decisão após um telefonema do petista. Lula teria pedido a ele que apresentasse a carta de demissão.