O presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol), Gianni Infantino, procurou tranquilizar os torcedores que desejam viajar aos Estados Unidos para a Copa do Mundo de 2026, a ser realizada no país, em conjunto com México e Canadá. Em meio a crescentes limitações ao fluxo de estrangeiros imposto pelo presidente Donald Trump, ele adotou um tom conciliatório.

"Acho que é importante esclarecer isso, há muitas ideias equivocadas por aí. Todos serão bem-vindos no Canadá, no México e nos Estados Unidos na Copa do Mundo do próximo ano. Estamos trabalhando exatamente para isso", afirmou o dirigente, após reunião do Comitê Executivo da Confederação Africana de Futebol, em Nairóbi, no Quênia.

Enquanto trava uma guerra comercial com múltiplos países, Trump tem adotado uma série de medidas restritivas na entrada aos Estados Unidos, com deportações em massa. No último dia 18, o governo norte-americano anunciou ter revogado 6.000 vistos de estudantes desde que Marco Rubio assumiu o cargo de secretário de Estado, há sete meses.

Nesta semana, às vésperas da Assembleia-Geral das Nações Unidas, que ocorrerá em Nova York, o Departamento de Estado revogou e negou vistos a membros da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) e da Autoridade Palestina. Isso se deu no contexto das negociações na guerra Israel-Hamas, porém ampliou a preocupação de quem deseja ver a Copa.

No fim de julho, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil publicou um alerta para que os interessados em viajar para o Mundial solicitem o quanto antes o visto. O aviso se deu na semana em que Trump impôs o aumento de tarifas no comércio com outros países, com o Brasil como o maior atingido.

Segundo Infantino, tudo se dará de forma tranquila. O presidente da Fifa lembrou que a Copa do Mundo de Clubes foi realizada nos próprios Estados Unidos, entre junho e julho, com visitantes de várias partes do planeta. A Copa de 2026 tem 11 de seus 16 estádios snos Estados Unidos, onde ocorrerá toda a disputa a partir das quartas de final.

"Na Copa do Mundo de Clubes, tivemos torcedores de 164 países, sem nenhum problema. Claro que existe um processo para obter os vistos. Esse processo será tranquilo, e isso vai garantir que aquelas seleções que se classificarem poderão vir com seus torcedores", disse o dirigente, que construiu uma relação próxima com Trump.