Thiago Nogueira
@thiagonoggueira
07/05/21
18h48

Transmissão

Streaming do Campeonato Mineiro gera público médio de 3,2 mil em jogos de 2021

Considerando as visualizações únicas, 126 mil torcedores acessaram a plataforma para ver as 39 partidas dos times do interior que ficariam 'no escuro' durante a pandemia

Jogo final do Troféu Inconfidência, conquistado pelo Pouso Alegre, foi a partida mais vista pela plataforma — Foto: Reprodução/futebolmineiro.tv.br
Thiago Nogueira | @thiagonoggueira
07/05/21 - 18h48

Com portões fechados para o público por conta da pandemia de Covid-19, a maioria dos jogos do Campeonato Mineiro deste ano ficaria "no escuro", especialmente, para os torcedores dos times do interior do Estado.

Com o aval da TV Globo, dona dos direitos de transmissão do torneio, uma parceria entre a Federação Mineira de Futebol (FMF), a Armando Oliveira Comunicação e a TVN Sports proporcionou a exibição de 39 partidas do torneio por streaming através do canal futebolmineiro.tv.br. Pela primeira vez na história, todos os jogos da competição estadual foram transmitidos.

Dados da audiência mostram um total de 232 mil visualizações, média de 5,9 mil por jogo. Considerando apenas as visualizações únicas, ou seja, de um mesmo usuário, 126 mil torcedores acessaram a plataforma para acompanhar seu time do coração.

É como se tivéssemos uma público médio de 3,2 mil por partida nos estádios. O tempo de permanência no aplicativo foi de 39 minutos, número inferior aos 90 minutos regulamentares de um jogo, mas considerado alto para os padrões de um consumidor de conteúdo digital.

Todas as partidas que não tinha Atlético, Cruzeiro ou América em campo foram exibidas no canal da FMF, incluindo os três jogos do Troféu Inconfidência. A final URT x Pouso Alegre, aliás, vencida pelo time do Sul de Minas, bateu o recorde, com 16.820 visualizações, sendo 7.436 de visitas únicas. Ao todo, 53 mil pessoas fizeram o cadastro na plataforma, oferecida gratuitamente e bancada com recursos da federação.

Futuro das transmissões

Esses números, certamente, vão balizar as negociações para uma renovação ou não de contrato da Globo para o Campeonato Mineiro. O ano de 2021 é o último do atual acordo. As negociações já foram abertas mas ainda não há uma definição para os próximos anos. O que o mercado mostrou neste período de pandemia é que a emissora carioca não está disposta a pagar o mesmo que pagava antes pelos campeonatos de futebol.

Por causa da crise financeira, a Globo abriu mão, por exemplo, de transmitir a Copa Libertadores e a Fórmula 1 em seus canais aberto e fechado. Atlético e Cruzeiro receberam R$ 14,3 milhões por ano só pelo Campeonato Mineiro, números fora da realidade atualmente (o América levou R$ 4 milhões/ano e, os times do interior, quase R$ 1 milhão/ano cada um).

Bastidores

A transmissão dos jogos do Campeonato Mineiro via streaming é gerida por Armando Oliveira, que tem experiência no mercado televisivo. Ele trabalhou por dez anos na TV Alterosa, período que coincide com a criação do programa "Alterosa Esporte", e esteve por 17 anos na TV Globo Minas, sendo 14 anos na gestão da equipe de esportes.

Desde o ano passado, ele vem trabalhando o projeto de streaming da FMF, com apoio da produtora SG9 e da TVN Sports, startup de tecnologia que já transmite diversos campeonatos pelo país, como vôlei, futsal, atletismo, handebol, entre outros, incluindo o Canal Olímpico, do Comitê Olímpico do Brasil (COB).

Em Minas, o projeto futebolmineiro.tv já transmitiu 83 partidas. Além do Campeonato Mineiro deste ano, a plataforma já mostrou jogos do Módulo II, Recopa do Interior e Campeonato Mineiro Feminino. As transmissões são realizadas com uma equipe enxuta, de seis profissionais: narrador, comentarista e cinegrafistas nos estádios – normalmente, profissionais da região onde a partida é realizada – e outras três pessoas no suporte técnico. Uma transmissão da Globo hoje reúne, pelo menos, 40 pessoas.

O próximo passo agora é criar uma forma de monetizar o conteúdo, tanto para bancar os custos de transmissão, quanto para gerar receita para os clubes. "Temos que criar um sistema de sustentabilidade do futebol. Esse é um primeiro passo para que reverta em renda para os clubes. Existem formas diretas e indiretas. No Módulo II do ano passado, gerou renda indireta aos clubes. Demos a possibilidade de cada clube exibir um VT (videotape) comercial e colocar a marca. Ele vendia isso para um parceiro. Ele também vendia a placa de publicidade do estádio porque o jogo tinha transmissão. A gente pensa na possibilidade de atrelar uma assinatura ou dar o benefício de um sócio-torcedor para o cara ter acesso", ressaltou Armando Oliveira.

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