Josias Pereira
@josiaspereira
03/10/21
17h15

Futuro celeste

Cruzeiro: futebol sem Sérgio Rodrigues e R$ 300 milhões, empresário detalha SAF

Régis Campos apontou que projeto celeste já está finalizado; objetivo agora é buscar investidores e interesse já teria sido demonstrado no exterior e no Brasil

Régis Campos elogiou o esforço de Sérgio na área administrativa, mas discordou de pensamento sobre montagem do futebol — Foto: Cruzeiro / Divulgação
Josias Pereira | @josiaspereira
03/10/21 - 17h15

O empresário Régis Campos, um dos apoiadores e também patrocinadores do Cruzeiro por meio da construtora Emccamp, conversou com o Super.FC na tarde deste domingo (3) sobre os futuros do clube com a introdução da SAF, a Sociedade Anônima do Futebol. Régis vem executando um papel importante na avaliação do valor de mercado da Raposa. Ele foi um dos responsáveis por intermediar o trabalho da XP Investimentos neste trabalho e agora o caminho, de acordo com o empresário, é a prospecção de investidores que, segundo ele, já mostram interesse, tanto do exterior quanto de dentro do Brasil. A intenção é que este parceiro ou empresa tenha total controle sobre o futebol do Cruzeiro investindo R$ 300 milhões. O valor seria o inicial prospectado. 

"A gente tem que dar os méritos quando eles acontecem. Sei que no futebol houve erros horríveis e terríveis, mas no que compete a gestão do Sérgio Santos Rodrigues no Cruzeiro do ponto de vista administrativo, a gente tem que elogiar. Ele batalhou no senado para que essa lei da SAF, de autoria do senador e atual presidente da casa, Rodrigo Pacheco, fosse aprovada. E isso aconteceu, com a câmara ratificando. Isso é a salvação do futebol brasileiro, tanto na Série A quanto na B. Isso acontece em todos os lugares do mundo, com os investidores financiando o futebol das equipes e obtendo lucros, dividendos. É isso que o futebol precisa. Precisa ser gerido como uma empresa. É a única solução", reforçou Régis.

"O que eu posso dizer sobre a situação do Cruzeiro é que o nosso projeto de SAF está muito adiantado graças à atuação do Serginho desde o primeiro momento. Esse acontecimento está para ser finalizado, o Cruzeiro contratou a XP para avaliar este capital, formatar a operação como um todo e captar investidores. A XP já está pronta da parte dele, já está na rua para poder captar, têm investidor estrangeiro, investidor nacional. O torcedor pode ter certeza que o Cruzeiro está nos finalmentes desta criação, a empresa, a SAF, brevemente estará pronta, junto com a equipe da XP e o trabalho de mais um monte de outras empresas, empresas internacionais, de auditoria, estão fazendo todo este trabalho com competência. Praticamente está finalizada essa nova inscrição do Cruzeiro, com a expectativa de entrar o dinheiro a partir do ano que vem", projetou Régis.

O empresário falou ainda sobre a atuação da SAF dentro do Cruzeiro, assumindo toda a gestão do futebol, mas se comprometendo a pagar ao clube pela utilização de espaços como a Toca II; 

"Eu acredito que teremos os recursos. A gestão será todo deste investidor, a gestão do futebol. O Cruzeiro fica com 51%, enquanto os outros 49% são do investidor. A XP está avaliando algumas situações, colocando um valor de R$ 300 milhões, o que foi mostrado na avaliação. A SAF não é dona de nada, toda estrutura é do Cruzeiro antigo. A SAF, por exemplo, vai pagar um aluguel para usar a Toca I e Toca II e vai receber tantos jogadores profissionais e jovens da base. Isso aí está bem encaminhado, se tudo ocorrer bem, teremos isso já para 2022", vislumbra Régis. 

E se não acontecer?

Mas o empresário também destacou que o Cruzeiro vem se preparando para a possibilidade de que a transformação em SAF não ocorra para o próximo, com o dinheiro projetado não sendo injetado no futebol celeste. Pacificador, ele também pediu um 'cessar fogo' nas batalhas de bastidores que o clube vem atravessando. 

"Não é hora de brigar, não e hora de nada disso. Temos que tentar ajudar, eu ajudo no que posso, meu objetivo é a SAF. Eu não vejo outro caminho, a dívida é gigante", declarou Régis.

O empresário seguiu detalhando os objetivos da transformação do futebol do Cruzeiro em uma Sociedade Anônomia. "Vinte por cento de toda a receita gerada pelo futebol vai para o pagamento do Cruzeiro 'velho' (no caso, a administração dos 51% que pertencem ao Cruzeiro, como propriedades e clubes sociais). O Cruzeiro 'velho' vai pegar este dinheiro e pagar a dívida que possui. Lógico que esta dívida não é quitada de uma vez e esses R$ 300 milhões que estamos projetando vão para a gestão do futebol, para investir no futebol. O elenco, como o Luxemburgo disse na entrevista, vai ser montado. Ele está pensando como se não houvesse a SAF e tem muita lógica nisso. Estão planejando o Cruzeiro para o ano que vem sem contar ainda com uma SAF por que vamos supor que aconteça uma zebra?", indagou o empresário, que é conselheiro do Cruzeiro e também já atuou em áreas diretivas, como a vice-presidência celeste.

"O que o Cruzeiro está fazendo é o certo, que é já se planejar antes da próxima temporada. Está vendo com qual elenco pode contar, com qual recurso, quanto de dinheiro vai ter. O Cruzeiro tem que se preparar para quando o dinheiro chegar, mas ele tem que entrar rápido, a SAF só funciona quando entrar dinheiro dela. A SAF tem que entrar os R$ 300 milhões. Temos até o fim do ano para que a XP tente conseguir esse dinheiro, tente encontrar investidores dispostos a colocar este dinheiro", salientou.  

Discordância de Sérgio Santos Rodrigues no futebol

Régis destacou o trabalho de Sérgio Santos Rodrigues na parte administrativa, mas destacou que teria tomado, em opinião pessoal, decisões diferentes em relação ao futebol do Cruzeiro. A começar pela formação do time, com reforços e um técnico de Série A. 

"Eu sou favorável a termos um treinador de Série A e jogadores de Série A. O Cruzeiro não pode ter um jogador de Série C, Série B medíocre. É lógico, se você for para a Série A, você vai investir um pouco mais, em jogadores com mais lastro. Mas precisamos ter um elenco mais qualificado. Sempre fizemos o que o Atlético está fazendo, Palmeiras, Flamengo, o sucesso deles tudo com ex-jogador do Cruzeiro. Mas agora o que precisamos fazer é reconstruir o Cruzeiro. Não é hora de querer colocar lenha na fogueira. Eu não vou ficar criticando o Serginho, pedindo a saída dele, falando que tem que mandar diretor de futebol embora. Isso não vai agregar. Não está em questão isso. Eu, por exemplo, acho que deveria ter ficado com o Felipão. Ele queria reforços para compor o elenco de nível de Série A e foi dito a ele que não daria, eu achei errado. Critico o que é errado e bato palma para o certo. Eu não sou diretor do Cruzeiro, mas fui muitos anos atrás. Minha participação agora é fazer com que essa SAF saia e o dinheiro chegue", concluiu Régis.  

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