Folhapress
@otempo
04/12/21
18h13

Surfe no DNA

Sophia Medina repete feitos do irmão e acelera trajetória no surfe aos 16

Em 2009, quando ela tinha 4 anos, Gabriel Medina tornou-se aos 15 o surfista mais novo a vencer uma etapa da WSL, em Florianópolis

Folhapress | @otempo
04/12/21 - 18h13

A surfista Sophia Medina se diverte ao dizer que "praticamente nasceu no mar". Irmã do tricampeão mundial Gabriel, ela cresceu com um exemplo ao seu lado de que era possível almejar feitos grandes e dá passos cada vez mais firmes para construir a própria trajetória no esporte.

Aos 16 anos, Sophia ganhou no último dia 21 uma etapa do QS (Qualifying Series) de 3.000 pontos em Saquarema (RJ), que faz parte do circuito de acesso à WSL (World Surf League) na América Latina. A vitória a deixou na liderança do ranking regional classificatório para o Challenger Series 2022, a última porta de entrada para a elite mundial no CT (Championship Tour).

A adolescente nasceu e cresceu em Maresias, praia de São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Em 2009, quando ela tinha 4 anos, Gabriel Medina tornou-se aos 15 o surfista mais novo a vencer uma etapa da WSL, em Florianópolis. O primeiro título mundial dele e do Brasil no CT viria em 2014.

A etapa de Saquarema não foi a primeira vez que Sophia repetiu uma conquista precoce do irmão. Em 2018, com 12 anos, ela levou o título da categoria sub-16 no evento Rip Curl Grom Search, vencido por ele em 2010.

"Vitória de gente grande, orgulho! Primeira vitória no WQS, não tem como não me lembrar de quando eu comecei! Te amo", escreveu Gabriel nas redes sociais para comemorar o último feito da irmã.

"Minha primeira referência no surfe foi o Gabriel. Vi tudo o que ele fez e estava ali perto", Sophia afirma à reportagem. "Sempre olhei para ele como inspiração e também quis ganhar o primeiro QS nova, porque é um passo muito grande na carreira. É quando você realmente vê que é capaz de ganhar campeonatos grandes."

Além da referência fraternal, ela comemora o fato de ter mulheres como exemplos para seguir. Estão nessa lista a havaiana Carissa Moore, pentacampeã mundial e medalhista de ouro na estreia olímpica do esporte, e as últimas brasileiras a integrar a elite da WSL, Silvana Lima e Tatiana Weston-Webb.

"Hoje o surfe feminino está tomando um lugar muito importante, e o nível está aumentando no Brasil. Vem uma grande geração de meninas da minha idade. Eu quero ser melhor do que elas, elas querem ser melhores do que eu, e nesse mundo competitivo uma acaba sendo inspiração para a outra", diz.

Laura Raupp, que aos 15 anos também venceu uma etapa do QS (de 1.000 pontos) em novembro, e Bela Nalu, 14, fazem parte dessa nova e promissora leva de garotas.

Charles Saldanha, pai e treinador de Sophia, vê Tatiana, 25, Silvana, 37, e Jacqueline Silva, 42, todas vice-campeãs mundiais, como talentos isolados, "pérolas" que desafiaram as probabilidades para nas últimas décadas conquistarem seu espaço na elite.

Ele acredita que nos próximos anos pela primeira vez um conjunto de surfistas brasileiras poderá ascender na mesma época, a exemplo do que ocorreu com a geração masculina que ganhou o apelido de "brazilian storm" (tempestade brasileira) e levou 5 dos últimos 7 títulos do CT.

"Eles chegaram surfando melhor do que os gringos e por isso ganharam respeito. Não adianta ter nome e bandeira, tem que chegar lá e mostrar serviço. Surfe é um esporte exibicionista, se você não mostra que surfa bem não adianta chegar achando que vai ganhar", afirma.

O técnico revive com Sophia momentos de uma trajetória similar à percorrida ao lado de Gabriel, criado por ele desde a infância e de quem foi treinador até 2019.

"Ela começou a ir muito cedo para a água, mas para brincar. Até uns 10 anos jogava futebol, era titular do time dos meninos e também surfava, mas o surfe é um esporte em que a criança começa a se desenvolver um pouco mais tarde, porque tem certo perigo. Até que você pergunta a que ela quer se dedicar, e para nossa felicidade ela queria o surfe", conta o pai.

Charles não vê muitas diferenças nos métodos de trabalho aplicados com Sophia e Gabriel. Ele considera positivo a filha ter passado a treinar desde cedo no instituto que leva o nome do tricampeão –atualmente, a entidade está desativada em meio a conflitos familiares.

"Ela foi moldada como atleta, com preparador físico, técnico, da mesma forma que outros meninos do instituto e que as crianças que estão no surfe acabam tendo hoje. Começou a ter uma vida de profissional cedo, treinando quatro horas por dia e competindo", explica.

Na sua projeção, se Sophia confirmar a entrada no Challenger Series em 2022, ainda deverá levar cerca de três anos para estar apta a conquistar uma vaga no CT. Ele lembra que no caso de Gabriel foram dois anos e meio para isso.

"Pode ser um pouco antes ou depois, mas acredito que em três anos ela consiga entrar na elite e, aí sim, traçar uma meta para ser campeã mundial. Se você não buscar o primeiro lugar não vai ser nem o quinto", destaca com a mesma ambição que faz brilhar os olhos da surfista.

Como Charles sempre viajava com Gabriel pelo circuito mundial, Sophia também era treinada por Gilmar Moura, que permanece no time. Desde o ano passado, quando os conflitos entre os Medinas irromperam, o pai passou a se dedicar exclusivamente à carreira da filha.

"Foi muito legal poder ficar mais com a Sophia no momento em que ela mais precisa. Depois que o atleta já está formado, campeão, você vai dar um incentivo mais moral do que técnico, mas nesse momento de formação é importante ter alguém do lado", diz.

O 2021 a ser celebrado pelos irmãos dentro do mar coincidiu com um período delicado nas relações pessoais. Durante o ano, várias notícias sobre conflitos do surfista e sua esposa, Yasmin Brunet, com a mãe dele, Simone, ganharam o noticiário.

Sophia afirma que segue falando normalmente com Gabriel e marcou o perfil do irmão na publicação em que comemorou a conquista do QS. Charles, marido de Simone, também prefere dedicar poucas palavras ao tema.

"A única coisa que eu posso falar é que tem muita fofoca aí, mas está tudo bem com a gente. O pessoal fica preocupado à toa. Ficamos tristes, mas não vou ficar respondendo fofoca. Não sou fofoqueiro. Somos atletas, treinadores, a gente vive do esporte", ele encerra.

---

O TEMPO reforça o compromisso com o jornalismo mineiro, profissional e de qualidade. Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confiar.

Siga O TEMPO no Facebook, no Twitter e no Instagram. Ajude a aumentar a nossa comunidade.

Escreva um comentário
Comentar
Log View
Vem ser Premium!
Seja Premium
Salve matérias
Você poderá salvar as matérias para ler quando e onde quiser.
Matérias Premium
Veja as matérias exclusiva para usuários premium.
Notificações
Receba notificações de novas matérias do seu time do coração.
Av. Babita Camargos, 1645 - Contagem Minas Gerais - CEP: 32210-180
+55 (31) 2101-3000