Daniel Ottoni
@superfc
02/09/18
08h00

América do Sul

Arquiteto mineiro chega a BH depois de percorrer seis países de bicicleta

A rotina abarcava uma série de obrigações: dar conta do trajeto, descansar, se alimentar, registrar tudo (em fotos e vídeos) e, claro, não se esquecer de manter contato com amigos e família

Breno Bizinoto
On the road: ao fim da aventura, sensação de dever cumprido – e uma bagagem recheada de histórias para dividir com a família e amigos — Foto: arquivo pessoal
Breno Bizinoto
Aprendizado: em meio a paisagens memoráveis, o ciclista enfrentou chuva, vento e noites maldormidas — Foto: TransandesChallenge/Barraphoto/divulgação
Daniel Ottoni | @superfc
02/09/18 - 08h00

Se existe uma “viagem da vida” para boa parte das pessoas, a realizada recentemente pelo arquiteto Breno Bizinoto, de 27 anos, já está garantida na memória e no coração. Foram quase 12 meses percorrendo, de bicicleta, seis países da América do Sul (Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia e Peru), em um total de 17 mil quilômetros. E para provar que o destino estava a seu favor, a maior inspiração para sua mais nova aventura apareceu assim, do nada, bem no meio do trajeto. 

“O momento mais marcante da viagem foi, sem dúvida, quando encontrei, por acaso, o Argus Caruso, autor do livro que me inspirou a viajar. Foi sem combinar nada! Ele viu a minha bike e me cumprimentou, sem nem saber por que eu estava ali”, conta. “A forma como ele conta a história da viagem foi muito motivante”, comenta Bizinoto.

Indo muito além de um “simples” pedal pela América do Sul, em roteiro que recebeu o nome de CicloSul, o ciclista fez questão de participar de competições em alguns dos locais pelos quais passou. A primeira delas foi o Iron Biker, em Mariana, poucos dias após sua partida de Belo Horizonte, no dia 14 de setembro do ano passado. Neste domingo (2), quase um ano depois, ele chegará à capital mineira com a sensação de dever cumprido – e com uma bagagem recheada de histórias e certezas. 

Outros desafios, além de chuva, vento, frio e noites maldormidas, além de paisagens memoráveis, serviram de combustível para os previsíveis momentos de desânimo – que, sim, aconteciam, mas que eram logo superados. “Em uma viagem assim, o físico fica marginal a tudo. É por isso que há inclusive gente mais velha ou fora de forma que viaja o mundo de bicicleta. (Prosseguir) Depende de saber lidar com situações, bem como com as várias pessoas com as quais você vai invariavelmente cruzar todos os dias. Se entrar em desespero, você sente um caminhão te atropelando – e tudo começa a dar errado”, analisa. 

A rotina abarcava uma série de obrigações: dar conta do trajeto, descansar, se alimentar, registrar tudo (em fotos e vídeos) e, claro, não se esquecer de manter contato com amigos e família. “Era difícil conciliar tudo. Tinha que descobrir onde ia dormir, lavar a roupa, correr atrás de wi-fi, ligar para a família, pesquisar preços, fazer e desfazer mala... No início, cometi alguns erros, mas, depois, peguei o jeito da rotina”, assegura. 

Aventura vai terminar no Iron Biker 2018

A 26ª edição do Iron Biker, uma das provas mais importantes do cenário brasileiro, contará com a presença de Breno Bizinoto. Enquanto muitos pensariam somente em descansar assim que chegassem perto de casa, Breno faz questão de participar da prova para fechar, com chave de ouro, uma viagem inesquecível. A competição acontecerá em Mariana entre 14 e 16 de setembro. Ele também esteve presente no Desafio Paso del Cordoba, na Argentina e na Transandes, no Chile. Todas essas corridas são de longa distância, chegando a etapas de quase 400 km em um único dia.

Entrevista

O que te motivou?

Eu li um livro sobre um cicloviajante que deu a volta ao mundo passando por 33 países. Ele é arquiteto igual a mim, tinha a mesma idade que eu e morava em Belo Horizonte, igual a mim. O nome dele é Argus Caruso, e a forma que ele conta a história da viagem foi muito motivante.

Conseguiu participar de todas as competições planejadas?

Não. No meio do projeto eu recebi o convite para ir em outras competições, e acabei preferindo trocar. O Inca Divide, no Peru, foi uma prova de 1.800 km que tem um formato diferente do que eu estava acostumado, então foi um desafio muito grande, mas valeu a troca.

Por que a ideia de participar de competições e ir além de um ‘simples’ pedal pela América do Sul?

Viajar é um experimento novo para mim, mas competir é algo que já tenho 11 anos de carreira. Queria criar essa coisa nova: uma cicloviagem cheia de objetivos, prazos, desafios e quebra de limites, como nas competições.

Algo que estava planejado, como participar de alguma corrida, não se concretizou?

Eu gostaria de ter tido mais tempo para abordar os assuntos de arquitetura, mas a informação hoje é muito veloz e segmentada. Não existe espaço nas redes sociais para expor dois assuntos que sejam diferentes. Arquitetura e urbanismo têm uma conexão enorme com a bicicleta, e eu adoraria reportar o que vi na América do Sul sobre isso para o público que tem esse interesse. Então, além de abordar esporte de performance com viagem, colocar essa terceira etiqueta seria muito assunto de uma vez só.

Com o que você retorna na bagagem de experiência e aprendizado?

Se a gente tivesse espaço para colocar um livro nesse jornal, ainda ia faltar espaço (risos).

Escreva um comentário
Comentar
Log View
Vem ser Premium!
Seja Premium
Salve matérias
Você poderá salvar as matérias para ler quando e onde quiser.
Matérias Premium
Veja as matérias exclusiva para usuários premium.
Notificações
Receba notificações de novas matérias do seu time do coração.
Av. Babita Camargos, 1645 - Contagem Minas Gerais - CEP: 32210-180
+55 (31) 2101-3000