PATRIMÔNIO DE MINAS

Festival do Queijo Artesanal é oportunidade única de degustar e comprar queijos de diversas regiões do Estado

Evento gratuito vai reunir , de 13 a 15 de junho, no Expominas, 15 regiões produtoras da iguaria; programação terá oficinas, palestras, cozinha-show e networking


Publicado em 06 de junho de 2024 | 18:55 - Atualizado em 06 de junho de 2024 | 18:55
 
 
 

O modo de fazer do Queijo Artesanal Minas (QMA), candidato a Patrimônio Imaterial pela Unesco, será exibido de 13 a 15 de junho, no Expominas, no 6º Festival do Queijo Artesanal de Minas, organizado pelo Sistema Faemg Senar e Sebrae Minas. Com a proposta de valorizar os produtores locais, o evento terá programação com seminários, oficinas, palestras, Agenda de Relacionamento, cozinha-show e feira de produtos da agroindústria mineira. Além de conectar produtores e compradores, os visitantes poderão degustar e comprar produtos mineiros e eleger o “Melhor Queijo de Minas”.

Durante o evento, o governador Romeu Zema, o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e diretor-geral do Instituto Mineiro de Agricultura (IMA), Antônio Carlos de Moraes, assinarão a portaria que regulamenta a produção do queijo Casca Florida Natural. Esse é um queijo artesanal feito com leite cru de vaca e maturado por, no mínimo, 30 dias. Sua característica marcante é a casca florida, formada por uma camada natural de mofo branco comestível e que confere à iguaria um sabor e aromas únicos. Hoje, há 112 queijarias registradas no IMA com o Selo Arte, que permite a comercialização em todo o país.

“Há seis anos, o festival tem atraído a atenção de visitantes de todo o Brasil e até mesmo de outros países, interessados em conhecer a diversidade e a qualidade dos queijos artesanais produzidos em Minas. Também tem se tornado uma verdadeira vitrine para promover nossa cultura e nossas origens, gerando novas oportunidades de negócios e aumentando a renda de pequenos produtores mineiros”, afirma o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva. Em 2023, mais de 21 mil pessoas passaram pelos estandes, que comercializaram cerca de quatro toneladas de queijo.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), a comercialização de QMA injeta cerca de R$ 6 bilhões na economia do Estado. Durante os três dias do festival, serão expostos e comercializados queijos de várias regiões do Estado, além de doces, quitandas, licores, cachaças, vinhos, azeites e geleias produzidos por pequenas agroindústrias do projeto Origem Minas. “O público vai ter acesso aos produtos da agroindústria que expressam a mineiridade e poderão degustar e comprar diretamente dos produtores”, destaca Danielle Fantini, analista do Sebrae Minas.

“Além de apresentar a diversidade dos Queijos Artesanais de Minas para o público, a proposta do evento é valorizar e reconhecer os produtores dessa cadeia tão relevante econômica, social e culturalmente, destacando as regiões produtoras e incentivando novos negócios”, disse Antônio de Salvo, presidente do Sistema Faemg Senar. O festival deste ano acontece simultaneamente à Megaleites, uma das maiores exposições de pecuária leiteira da América Latina, que acontece de 11 a 15, também no Expominas. A parceria permite aos visitantes uma imersão na cadeia produtiva do leite e seus derivados.

Territórios

Entre os queijos que estarão representados no evento está o Canastra - Foto: Leo Bicalho / Divulgação

Uma novidade desse ano é a inclusão da região da Serra Geral, no norte do Estado, que produz diversos tipos de queijos e será representada pelos produtores do QMA locais. Somam-se a ela outras dez regiões tradicionais na produção desse tipo de queijo: Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Diamantina, Entre Serras da Piedade ao Caraça, Serra do Salitre, Serras da Ibitipoca, Serro e Triângulo Mineiro. Há, ainda, cinco regiões de outros queijos artesanais: Alagoa, Jequitinhonha (Cabacinha), Mantiqueira de Minas, Serra Geral e Suaçuí.

Essas localidades produzem o mesmo tipo de queijo, mas possuem o seu "saber fazer" específico. Cada origem dá ao queijo uma identidade própria, conforme com as características humanas, culturais e naturais do local onde é fabricado. Todos são produzidos a partir de leite de vaca cru, com leite procedente da mesma propriedade onde fica a queijaria. O evento conta com mais dois tipos de queijos artesanais: Alagoa e Mantiqueira de Minas, totalizando 13 participantes. As 15 regiões caracterizadas oficialmente como tradicionais produtoras de queijos artesanais possuem cerca de 4.300 famílias que vivem desse negócio.

Agenda de Relacionamento

Produtores de queijos de 15 regiões de Minas vão exibir seus produtos no festival - Foto: Renata de Paoli / Divulgação

Ao contrário de outros encontros de negócios, a Agenda de Relacionamento possui uma dinâmica diferenciada, com foco para a criação de networking (relacionamento), que contribui para contatos posteriores a fim de gerar negócios e firmar novas parcerias, ampliando a capacidade de comercialização dos pequenos negócios ofertantes. Neste ano, a expectativa é que o evento aproxime 40 produtores de queijos, doces, cachaça, cafés, mel e geleias com 16 potenciais compradores de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina, Bahia, Maranhão, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

“A Agenda de Relacionamento é um importante instrumento de acesso ao mercado, que estimula o intercâmbio comercial entre quem oferece com quem procura um determinado produto. Além disso, é um ambiente propício para fazer negócios, criar uma rede de contatos, realizar acordos de cooperação e prospectar vendas”, afirma a analista do Sebrae Minas Danielle Fantini. Se por um lado, o evento é uma oportunidade para os produtores se conectarem com novos clientes, por outro, é uma chance para as empresas compradoras encontrarem em um só lugar fornecedores de produtos diversificados e de alta qualidade. 

Gastronomia

O público poderá eleger o melhor queijo do festival - Foto: Renata de Paoli / Divulgação

Entre as novidades do festival está a cozinha-show, uma parceria com o Instituto de Hospitalidade e Artes Culinárias (Inhac), escola de padrão internacional assinada pelo chef mineiro Léo Paixão. O público poderá participar e acompanhar o processo de criação de diversos pratos feitos pelos professores do instituto. A proposta principal é a elaboração de pratos à base de itens artesanais de Minas. Além do queijo, também serão utilizados outros produtos mineiros como azeites, vinhos, mel, cachaças e doces. E os adultos não serão os únicos a aproveitar essa oportunidade. O festival vai contar com um Espaço Kids, com cozinha-show também para o público infantil.

O público também poderá participar de diversas oficinas como harmonização de queijos com bebidas e outros alimentos, técnicas de conservação e características dos queijos de cada região. E também terá a responsabilidade de escolher, por votação popular, o melhor queijo do festival entre as 13 regiões participantes.

Formação

O Seminário Técnico do Queijo Artesanal vai oferecer capacitação técnica tanto para produtores quanto técnicos das instituições que atuam junto ao produtor, como o próprio Sebrae, o Sistema Faemg Senar, Ministério da Agricultura, Secretaria de Estado da Agricultura, IMA, Emater e Epamig, entre outras. Uma das pautas técnicas, encabeçada pelo Sistema Faemg Senar, será o Encontro das Mulheres do Queijo, incluindo produtoras, técnicas, pesquisadoras ou outras atuantes nessa área. “A mulher sempre esteve presente na cadeia do queijo, mas muitas vezes, a sua atuação fica escondida. Precisamos promover o reconhecimento do papel ativo que elas desempenham nas várias etapas do processo produtivo”, observa Silvana Novais, gerente da Mulher, do Jovem e de Inovação do Sistema Faemg Senar.

Tombado como patrimônio imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Queijo Minas Artesanal (QMA) é um produto que carrega em seu processo de fabricação uma técnica histórica, que remonta ao tempo dos colonizadores. É um queijo feito a partir de leite cru, em pequenas propriedades rurais, utilizando receitas tradicionais e familiares, passadas com carinho de geração em geração, que preservam a identidade cultural do povo mineiro e o sabor marcante degustado pelos nossos antepassados. O sabor dos queijos artesanais varia conforme a região onde é produzido, sendo influenciado pela altitude, pelas características do solo, pelo clima da localidade, pelo tipo de vegetação e pela água, o que é chamado de “terroir”, que propicia sabores únicos aos queijos de cada parte do Estado.

Serviço:
O que: 6ª edição do Festival do Queijo Artesanal de Minas 
Onde: Expominas (avenida Amazonas, 6.020, bairro Gameleira)  
Quando: dias 13/6, das 12h às 22h; 14/6, das 12h às 22h; e 15/6, das 10h às 22h 
Informações sobre o evento e ingressos: acesse o site o Festival do QAM.

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