Bahia

Cidade alta ou cidade baixa: em qual Salvador você se encaixa?

Há uma capital baiana para cada perfil de viajante: destino oferece de atrações históricas e tradicionais a agito noturno e rica gastronomia

Por Shirley Pacelli
Publicado em 18 de fevereiro de 2020 | 03:00
 
 
 

“Cidade alta ou cidade baixa?”. A qual Salvador você pertence? A provocação, que adquire tons de crítica social na voz de Russo Passapusso, do grupo local Baiana System, é parte da essência da capital baiana. A cidade é dividida em sua região litorânea, que abriga basicamente áreas comerciais e atividades portuárias, e outra mais moderna, a 75 m acima. O Elevador Lacerda, muito mais que atração turística, é um sistema de transporte público que liga essas “duas cidades”. 

Para o turista, a cidade baixa tem alguns dos atrativos mais autênticos do destino. Comece pela Basílica Nossa Senhora da Conceição da Praia (rua da Conceição dar Praia), construída entre 1739 e 1849. Ali Irmã Dulce foi sepultada. A dica é sair pela lateral e descobrir aos fundos da construção a primeira capela de Salvador, de 1623. Não é cobrada a visitação. 

Praticamente em frente fica o Mercado Modelo. Com mais de 250 lojas, é o local ideal para comprar as famigeradas lembrancinhas de viagem. O último andar concentra restaurantes e, se o preço for além do seu orçamento, vale ao menos tomar uma cerveja e apreciar a vista. 

Por ali (mas já na cidade alta) também está a praça Castro Alves, que foi palco histórico cultural e tem uma vista incrível da baía. Hoje em reforma, foram descobertas ruínas que podem pertencer a um antigo teatro.

Se dê de presente de fim de tarde uma visita ao Solar do Unhão, que abriga o inspirador Museu de Arte Moderna da Bahia, o MAM (facebook.com/bahiamam). Gratuito. 

Por abrigar basicamente lojas e concentrar residências abandonadas, não é recomendado ao turista permanecer nessa região à noite, que fica completamente deserta. O Elevador Lacerda funciona até as 23h. Vale subir e buscar por um transporte na parte alta da cidade. 

Confira no mapa abaixo as principais atrações:

 

Bonfim

Entre o Mercado Modelo e a icônica Igreja do Nosso Senhor do Bonfim está a feira livre de São Joaquim (av. Frederico Pontes, s/n). O local, frequentado especialmente por moradores, vende de temperos (alguém disse pimenta?) e frutos do mar a artigos de candomblé. Vale almoçar em um dos restaurantes à beira-mar. Recomendo a carne de sol do Pôr do Sol da Diva (R$ 40 para duas pessoas). 

Seguindo o roteiro, rumo à gostosa região da Ribeira, fica a igreja do Bonfim, padroeiro dos baianos. Esse é o momento de você amarrar sua fitinha na grade, fazer um pedido e registrar aquela selfie “clichêzona”. Mal não vai fazer. Se conseguir, programe-se para estar na cidade no segundo domingo de janeiro, quando acontece a tradicional lavagem das escadarias. O ritual atrai multidões.

Após alimentar o espírito, “abasteça o bucho”. Desça a ladeira em direção ao Estaleiro do Bonfim, escolha a melhor mesa à beira-mar e peça o pirão com carne seca (a partir de R$ 33 para uma pessoa). Busque pelo garçom Ronaldinho, que por vezes atua também como guia local. A Sorveteria da Ribeira (sorveteriadaribeira.com.br), a dez minutos de carro, também tem boa fama. 

De lá, uma boa pedida é ver o pôr do sol na Ponta de Humaitá, a 15 minutos de carro. O farol do local é conhecido como “farol dos namorados”. Você vai descobrir que o apelido faz jus à atração. O fim de tarde é incrível. 

A região não é tão segura para “turistar”. Fique mais atento aos seus pertences e, caso queira caminhar entre as atrações, vá acompanhado de um morador. 

Rio Vermelho: da casa de Iemanjá à praia de Itapuã

A região do Rio Vermelho é bem interessante para se hospedar. Trata-se de um bairro de pescadores, com casas coloridas, grafite e barzinhos. Na orla fica a Casa de Iemanjá, local da grande festa à rainha do mar, realizada anualmente em 2 de fevereiro. 

Seguindo caminhada, vá até o largo da Mariquita, que reúne barracas de tapioca, acarajé e música ao vivo. Coma uma tapioca de carne seca com banana da terra e queijo na Tapiocaria da Míria (R$ 14). O acarajé da Cira de Itapuã é mais popular, mas ele tem um ponto no largo, e o bolinho (R$ 11) é delicioso. 

De dia, vale visitar ainda a poética casa do Rio Vermelho (casadoriovermelho.com.br), antiga morada do escritor baiano Jorge Amado e sua mulher Zélia Gattai. Com mais de 2.000 metros quadrados, ela reproduz o lar do casal. Entrada: R$ 20 (gratuito às quartas). 

Para fazer jus aos versos de Vinícius de Moraes, de Rio Vermelho você pode ir passar uma tarde na praia de Itapuã (uma hora de ônibus). É bonita e na maré baixa, formam-se piscinas naturais. Mas nos fins de semana, fica lotada. Fica o aviso. 

Farol da Barra

A praia do Porto da Barra é, de longe, a melhor para se banhar em Salvador. Vale passar o dia com os pés na areia, tomando uma cervejinha, fazendo stand-up paddle e comendo porções de acarajé ou queijo quente. Fique de olho na conta. Os preços das barraquinha são salgados. No fim de tarde, vá para trás do farol curtir um pôr do sol memóravel com direito a música ao vivo. 

 

SERVIÇO

Quem leva

Operadora. Abreu
Inf.: Consulte seu agente de viagens
Inclui. Passagem aérea, seis noites com café da manhã no Portobello Ondina Praia Hotel, city tour e traslado.
Período. 22 a 28/4
Preço. A partir de R$ 1.480* 

Operadora. Azul Viagens
Inf.: Ligue 4003-1181
Inclui. Passagem aérea, quatro noites no Sol Bahia Sleep com café da manhã, city tour e traslado.
Saída. 3/6/2020
Preço. A partir de R$ 895*


*Preços por pessoa em apartamento duplo.

 

Notícias exclusivas e ilimitadas

O TEMPO reforça o compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade.

Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confiar. Fique bem informado!