O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu denúncia contra a delegada Monah Zein, que se trancou em casa no bairro Ouro Preto, na região da Pampulha em Belo Horizonte, em novembro do ano passado. Durante a tentativa de negociação, a delegada atirou contra a porta, motivo pelo qual o MP pediu a condenação por quatro tentativas de homicídio contra policiais civis. 

“A denunciada, agindo com dolo homicida, tentou matar os policiais civis no exercício da função e em decorrência dela, somente não consumando o crime por circunstâncias alheias a sua vontade”, cita o MP. Conforme o promotor Gustavo Augusto Pereira de Carvalho Rolla, a delegada se opôs à execução de ato legal, praticado pelos policiais civis, além de outros agentes públicos que os auxiliavam, mediante violência e grave ameaça, inclusive com o emprego de arma de fogo.

Segundo a denúncia, equipes especializadas da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros foram até o endereço da mulher, em 21 de novembro do ano passado, para conversar e garantir a saúde física e mental da servidora, já que ela não foi trabalhar e realizou postagens suicidas em grupo corporativo de WhatsApp. O promotor alega que “desde o início da abordagem, a denunciada insistia que não precisava de ajuda, porém demonstrava grande excitação e agressividade em seu comportamento, o que revelava, para as equipes atuantes, a necessidade de continuidade da ação”.

A denúncia aponta ainda que “diante do estado de animosidade da denunciada, associado ao fato de a denunciada estar na posse de arma de fogo”, foi necessário o empenhado da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (Core). Na parte da tarde, a delegada saiu do apartamento com uma arma de fogo em mãos, passou pelo hall do elevador, pela porta do tipo “corta-fogo” e entrou na sala onde estavam os policiais civis. Ela teria apontado a arma para os colegas e ameaçou atirar caso eles não fossem embora. 

“Consta que, naquele momento, a denunciada se aproximou de uma das vítimas e bateu com o armamento no escudo balístico operado por ele, momento em que outra vítima, utilizando-se de dispositivo eletrônico denominado spark, efetuou um disparo contra a denunciada, porém essa medida não foi eficaz. Consta que, na sequência, a denunciada efetuou disparo com a arma de fogo que portava na direção da primeira vítima, que, naquele momento, na condição de negociador, encontrava-se desarmado, não atingindo a referida vítima por erro de pontaria, já que o disparo acertou a parede próxima à qual se encontrava a vítima e a poucos centímetros da região de sua cabeça”, detalha o promotor.

Depois disso, um policial teria atirado com bala de borracha, mas sem acertar a delegada. Ela retorna para o apartamento e atira outros disparos em relação à equipe, também sem acertar ninguém. O Ministério Público pediu que a delegada responda a quatro tentativas de homicídio qualificado, por ser cometido contra agente de segurança pública.

Por parte da acusação, foram listadas 14 pessoas a serem ouvidas, incluindo as quatro vítimas e 10 testemunhas. O processo tramita no 1º Tribunal do Júri desde o último dia 19. A reportagem procurou a delegada e aguarda resposta.