Uma sessão gratuita de cinema em Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte, vai exibir o curta “Ramal”, nesta segunda-feira (15 de julho), às 17h (rua do Cartório, no Galpão 2, bairro Vila Marzagão). O conteúdo retrata a cultura do ‘grau’, que consiste em empinar a moto sobre uma roda, além de outros tipos de manobras com o veículo em movimento. A exibição será realizada justamente no cenário que recebeu e inspirou as gravações do filme e conta com o apoio da prefeitura do município.
O cineasta e diretor Higor Gomes cobiçava o espaço desde a época em que era estudante. Ele foi traído pelo contraste da paisagem calma e montanhosa, que conta com uma linha de trem e que recebe, ao mesmo tempo, a juventude preta e periférica para a cultura do “grau”
Segundo Gomes, apesar de marginalizado, o “grau” reflete o entretenimento dos jovens de periferia. “São homens majoritariamente negros que se sentem protegidos no Ramal, por estarem afastados das vias públicas e pedestres. Enquanto, na gringa, a mesma prática (conhecida como “Wheelie”) é reconhecida e consolidada por meio de competição e prêmios, no Brasil ainda é marginalizada, porque o ‘grau’, quando praticado em via pública, é considerado uma infração grave pelo Código de Trânsito Brasileiro. Mas aqui a cultura do ‘grau’ está ligada à periferia, sobretudo porque a motocicleta é um veículo mais barato e que para muitos é usada como ferramenta de trabalho. A partir do contato com os ‘grauzeiros’, quis captar esses encontros que funcionam como uma válvula de escape para eles, diante das durezas do dia a dia”, diz ele.
Histórico
O curta tem 16 minutos de duração e já foi exibido em diversos festivais de cinema pelo Brasil, como em São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro, Vitória e Curitiba. O filme também foi exibido em Belo Horizonte, no entanto, para os produtores, a proximidade não foi suficiente para levar o filme até o público que o inspirou.
“É muito simbólico para a gente retornar a esse lugar e exibir esse filme para os frequentadores do Ramal. O acesso à cultura acaba sendo difícil para essa juventude. Se as pessoas não podem ir ao cinema, o cinema tem que ir até as pessoas”, diz Jacson Dias, um dos produtores ao lado de Bruno Greco.
Frequentador do Ramal, Flavio Reais, de 28 anos, afirma que o filme é importante para mostrar o ‘grau’ por outro ponto de vista. Ele foi um dos atores convidados a interpretar Wesley, um dos protagonistas do curta.
“Hoje o ‘grau’ é muito criminalizado porque não temos espaço digno e apoio para realizar o esporte. Muita gente manda ‘grau’na rua e em locais inapropriados, gerando acidentes. Esses acontecimentos vão manchando a imagem do ‘grau’ pouco a pouco. O filme foi uma oportunidade de mostrar o Ramal como lazer, porque ali só tem trabalhador”, destaca ele.