Tradições religiosas e culturais, a cozinha mineira, as memórias do tempo em que era ponto de parada de tropeiros, a força das fábricas e a energia criativa das novas gerações compõem o mosaico de Contagem. Uma cidade que cresceu sobre bases sólidas, se reinventou diante das transformações do século XX e hoje projeta novos caminhos, sem perder de vista as raízes que a fizeram nascer.

De entreposto fiscal às margens das estradas coloniais a um dos mais importantes polos industriais de Minas Gerais, Contagem completa 114 anos de emancipação neste sábado (30), carregando em sua trajetória marcas de resistência, trabalho e identidade cultural.

Oficialmente fundada em 1911, a cidade que hoje abriga quase 650 mil habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o terceiro município mais populoso do Estado, atrás apenas de Belo Horizonte e Uberlândia.

Muito antes da emancipação, Contagem já tinha papel estratégico no mapa de Minas Gerais. No século XVIII, a região funcionava como posto de fiscalização e cobrança de impostos sobre o ouro e outras mercadorias que transitavam pelas estradas que ligavam o interior à capital da Capitania. Foi daí que surgiu o nome: o lugar da “contagem” das riquezas.

Esse ponto de passagem se transformou em núcleo de povoamento, com igrejas, fazendas e pequenos comércios que sustentavam a vida cotidiana. A religiosidade popular, materializada nas festas do Rosário e nas celebrações em homenagem a santos padroeiros, ajudou a forjar uma cultura marcada pela coletividade. A memória da cozinha mineira, com quitandas, feijão tropeiro e o hábito do café coado, também faz parte da identidade que atravessou os séculos, com um destaque especial para as receitas que têm a abóbora como protagonista.

Ao longo do século XIX, a vida rural predominava, com produção agrícola e atividades ligadas à pecuária. Essa base tradicional não desapareceu: até hoje, feiras, mercados e manifestações culturais mantêm vivo um modo de vida comunitário que se entrelaça com a urbanização acelerada das últimas décadas.

Potência econômica

O salto decisivo ocorreu no século XX, quando Contagem foi escolhida para sediar a primeira cidade industrial planejada de Minas. Esse projeto, na década de 1940, marcou o início de uma transformação que mudaria definitivamente a paisagem e a rotina da população. Novas fábricas se instalaram, empregos foram criados e o município passou a atrair trabalhadores de várias partes do Estado.

Nos anos 1970, a implantação de um novo centro industrial ampliou esse movimento. Ao lado das chaminés e dos galpões, cresceram bairros, surgiram escolas, expandiram-se linhas de transporte e o comércio local ganhou força, consolidando o Eldorado como um dos maiores polos comerciais da região metropolitana.

Esse processo colocou Contagem em posição de destaque econômico. O Produto Interno Bruto (PIB) municipal alcançou R$ 29,56 bilhões em 2020, segundo dados do IBGE, ocupando a 3ª posição em Minas. O PIB per capita foi de R$ 44,1 mil, reflexo da diversidade produtiva que vai da indústria ao comércio, além de serviços que abastecem o município e o entorno da região metropolitana.

Do aço à nuvem: cidade abre caminho para uma nova era

Se a vocação industrial consolidou a força econômica de Contagem, o presente aponta para novos caminhos. Nos próximos anos, a cidade se prepara para receber um grande centro de processamento de dados, empreendimento que deve impulsionar o setor de tecnologia da informação e inteligência artificial e atrair novos investimentos.

A modernização também chega à gestão pública, que tem adotado ferramentas digitais para aproximar a população de diferentes áreas do município. Na educação e na saúde, a digitalização tem avançado, conectando ensino de qualidade, agilidade nos atendimentos e segurança.