Uma imagem sacra de Santa Efigênia, datada do século XVIII e desaparecida há cerca de duas décadas, foi devolvida à comunidade do distrito de Monsenhor Horta, em Mariana, na Região Central de Minas nesta sexta-feira (7 de agosto). A recuperação da obra foi viabilizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Coordenadoria de Defesa do Patrimônio Cultural (CPPC), após a peça ter sido localizada em um leilão virtual. O item voltou a integrar o acervo da Igreja Matriz de São Caetano.
A localização do artefato aconteceu a partir de uma denúncia feita em novembro de 2025 por uma pessoa que identificou a escultura em um site de vendas de antiguidades, onde o anúncio citava expressamente o nome da santa e do distrito mineiro.
Recuperação da imagem
Diante da notificação, o MPMG expediu uma recomendação à leiloeira para a retirada imediata do item e seu envio para perícia técnica, procedimento que confirmou a autenticidade e a origem da obra.
Descrição da escultura
Com 50 centímetros de altura, a escultura em madeira representa uma figura feminina jovem de pele negra, vestida com manto e túnica pretos com detalhes dourados, sustentando na mão esquerda uma miniatura de igreja em chamas. Segundo a avaliação preliminar de especialistas da Comissão Arquidiocesana de Arte Sacra, a peça não possui danos estruturais graves, mas necessitará de processo de restauração para remover intervenções inadequadas, como camadas grosseiras de tinta e verniz aplicadas ao longo do tempo.
A obra pertence ao conjunto artístico da Igreja Matriz de São Caetano, templo construído em 1742 e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Conhecida pela fachada simples em contraste com o rico acervo em barroco joanino em seu interior, a edificação é o principal ponto histórico do distrito, que abriga cerca de 1,7 mil moradores.
Ferramenta contra o tráfico de arte
O cruzamento de dados e a identificação do bem contaram com o suporte do Sondar, plataforma desenvolvida pelo MPMG em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O sistema funciona como um banco de dados unificado que mapeia peças desaparecidas do patrimônio cultural mineiro e permite o engajamento direto da população, que pode realizar denúncias sobre vendas ilegais, fornecer informações sobre paradeiro de acervos ou solicitar a inserção de novos itens sumidos.
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