Mobilidade

Avenida em BH onde ciclista morreu atropelado tem projeto de ciclovia parado

Belo Horizonte havia acertado construção de 400 km de ciclovias que deveriam ficar prontas há dois anos, mas projetos não andaram; ciclistas reclamam da demora

Por Pedro Nascimento
Publicado em 15 de outubro de 2022 | 17:30
 
 
 

As imagens das câmeras de segurança mostram o momento exato em que o servidor público estadual Vitor Diniz Martins, de 34 anos, é atropelado por um ônibus da linha 645 (Estação Pampulha/Santa Mônica - Via Jardim Atlântico). O acidente aconteceu na última quinta-feira (13), em uma rotatória movimentada localizada no bairro Santa Amélia, na região da Pampulha, no cruzamento entre as avenidas Deputado Anuar Menhem e Ministro Guilhermino Oliveira. O local integra uma extensa lista de vias da cidade onde há projeto para implantação de ciclovia, mas até o momento, nada foi feito.
 
O projeto faz parte de um plano que deveria ser concluído em 2020, e que faria com a capital tivesse hoje cerca de 400 km de ciclovias implementadas, o que não ocorreu. 
As metas de ampliação cicloviária são parte do chamado Plano de Ações de Mobilidade por Bicicletas (Planbici), com custos previstos, à época, da ordem de R$ 132 milhões. 
 
Atualmente, a capital tem cerca de 105 km de ciclovias - algo bem abaixo do planejado. E em meio a tantas promessas, o ciclista que usa a bicicleta no dia a dia reclama da falta de segurança na disputa de espaço com carros, motos e ônibus no trânsito.
 
“A ciclovia faz falta demais, não só aqui nesse trecho mas pela cidade também. A gente precisa andar de olho no carro, na moto, e eles estão sempre querendo invadir o nosso espaço. Eles esquecem que ciclista também tem direito”, diz o gari Alexandre Caetano, que passa quase todos os dias de bike pela avenida Deputado Anuar Menhem - onde há o projeto de ciclovia.
 

Falta de respeito

Para o cicloativista Gil Sotero, cada morte no trânsito onde deveria existir uma ciclovia mostra como a falta de empenho da prefeitura é prejudicial para a população.
 
“Falta mesmo é vontade política para executar essas ciclovias que estão projetadas. Belo Horizonte mostra mais uma vez o quanto é atrasada em relação a outras capitais, especialmente do Sudeste, na execução cicloviaria”, reclama. “As ciclovias são importantes não só para a saúde das pessoas, mas também para a economia da cidade. A inexistência até mesmo onde já há projeto é cada vez mais revelada através de acidentes como esse que vitimaram o ciclista na Pampulha”, concluí.

O que diz a prefeitura

 
Procurada, a BHTrans - que é responsável pela implementação das ciclovias na cidade - diz que os projetos estão sendo implementados de forma escalonada, e destacou que, neste momento, está perto de concluir a contratação de 51,34 km de obras para implantação de ciclovias que farão a conexão com outros trechos já existentes na cidade. 
 

Confira a nota na íntegra:

 
“A Prefeitura de Belo Horizonte está preparando os termos de referência para contratação de obras para 51,34 km de infraestrutura cicloviária, que farão a conexão com trechos já existentes na cidade, de forma a proporcionar uma interligação e configuração como rede. Outros 22,45 km de projetos já foram desenvolvidos para vias que também vão receber infraestrutura para priorização do transporte coletivo, ou seja, estão agregados às faixas exclusivas. Sendo assim, o total é de 73,79 km de projetos na cidade. É importante reforçar que as intervenções serão licitadas de forma escalonada. Esses trechos foram priorizados por proporcionarem a interligação com a rede de transporte público de Belo Horizonte.”
 
 

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