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Greve do metrô de BH completa 21 dias e já é a mais longa desde 2012

Movimento foi iniciado em 21 de março; categoria busca evitar a demissão de 1,6 mil servidores concursados após a privatização da CBTU

Por Jéssica Malta e Vitor Fórneas
Publicado em 10 de abril de 2022 | 11:56
 
 
 

A atual greve dos metroviários de Belo Horizonte, iniciada no último dia 21 de março, já se tornou a mais longa desde 2012, quando a categoria paralisou as atividades por 39 dias, entre 14 de maio e 20 de junho. Como efeito da mobilização, o Metrô de BH funciona em escala mínima, das 10h às 17h, há 21 dias. 

A assembleia mais recente foi realizada pela categoria na noite da última quarta-feira (6), na Estação Central. Na ocasião, os metroviários votaram pela manutenção da greve. Conforme o Sindimetro-MG (Sindicato dos Metroviários de Minas Gerais), a continuidade da paralisação foi decidida por não haver resposta do governo às reivindicações da categoria. 

O movimento tem como objetivo evitar a demissão de 1,6 mil servidores concursados após a privatização da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e cobra um diálogo com o Governo Federal e a companhia sobre o futuro do metrô na capital.

Impacto

"Estou pagando para trabalhar". É assim que a professora Aline Fajardo, 25, comenta os impactos da greve na rotina. Ela conta à reportagem de O TEMPO que precisa fazer os deslocamentos para as escolas e que o metrô é essencial. Com a falta dos trens nos horários de pico, ela precisa recorrer aos aplicativos de transporte.

"Os preços não estão acessíveis como antigamente, por causa da gasolina. Está pesando mais no bolso. Recebo R$ 9 por dia de passagem, mas tenho que completar com mais R$ 11, por semana são R$ 55. Estou pagando para trabalhar e tendo um prejuízo bem grande", comenta.

A profissional da educação até que tenta ir para o trabalho de ônibus, mas reclama das condições. "Não estão n0ada bons. A greve gera um caos incontrolável. É verdade que o metrô não tem qualidade muito boa, mas a falta dele piora ainda mais".

Chegar atrasado ao trabalho tem sido normal na vida do engenheiro Elysson Galdino, 46, desde que a greve começou. "Estou saindo mais cedo de casa e chegando mais tarde no trabalho. Até o momento o patrão está tendo bom senso, só que na última semana fui questionado [sobre os atrasos]. Falei que dependo do transporte público".

O fim da greve é pedido pelo engenheiro que ainda faz um comentário sobre o movimento. "Entendo a luta de classe dos metroviário, mas, por outro lado, está sendo inviável o horário que os trens circulam. Não estão olhando o lado da população, apenas para o próprio umbigo. Para o movimento ganhar força, eles tinham que buscar o apoio da população e não se virar contra ela", afirma.

Usuários na bronca

"Misericórdia! Está horrível ter que enfrentar esta greve. O ônibus vem lotado. Estou indo trabalhar pendurada no ônibus e apertada na porta do coletivo. Fico duas horas esperando o coletivo. Terrível demais. Não estou aguentando mais. Chego em casa regaçada. É muito triste", Naldemir Gomes de Souza, 56, empregada doméstica.

"É muito complicada a greve, pois o metrô estando de greve, automaticamente as pessoas acabam indo para o ônibus, pegando aplicativo. Atrapalha todo mundo. Hoje precisei do metrô pela manhã e não tinha. É triste este tempo todo de greve. Estou tendo que me virar do jeito que dá: indo de ônibus, pegando carona. A gente torce para que passe logo", Ricardo Bello, 44, jornalista.

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