Impasse

Motoristas do Samu de BH decidem se vão cruzar os braços na terça-feira; entenda

Categoria denuncia redução do salário de cerca de 27% — de R$ 2.400 para R$ 1.800 —, e corte total dos benefícios

Por Juliana Siqueira
Publicado em 19 de abril de 2024 | 17:54
 
 
 
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O início da próxima semana deverá definir os rumos da possível greve dos motoristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Belo Horizonte. Os trabalhadores anunciaram, nesta sexta-feira (19 de abril), a possibilidade de paralisação como resposta à mudança da empresa parceira da prefeitura à frente do serviço. A categoria denuncia uma redução do salário de cerca de 27% (de R$ 2.400 para R$ 1.800), com corte total dos benefícios, como plano de saúde e odontológico. 

Uma reunião com representantes dos trabalhadores foi realizada nesta sexta-feira ( no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para definir os próximos passos do movimento. Por ora, foi solicitado pelo superintendente regional do trabalho, Carlos Calazans, mais dois dias úteis para tentar conseguir uma resposta positiva para os trabalhadores junto à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e a empresa, que não compareceram na reunião. O executivo municipal afirmou que se reunirá na terça (23 de abril) com a companhia para tratar sobre o assunto. 

“Nesse período, o Ministério do Trabalho e o Ministério Público, junto com o Ministério Público do Trabalho, procurarão a prefeitura, procurarão a empresa, no sentido de ajustar esse salário dos trabalhadores do Samu em Belo Horizonte, para que eles não paralisem atividades e para que eles continuem recebendo o que eles já recebem hoje da antiga empresa. Com isso, a população em Belo Horizonte pode ter um pouquinho de sossego, ou seja, ter o Samu paralisado em Belo Horizonte seria uma preocupação geral para a cidade”, diz ele.

Segundo Calazans, o que está acontecendo com os trabalhadores é uma injustiça. Por isso, caso não haja um acordo com a empresa, ele destaca a possibilidade de solicitar a suspensão da licitação, mantendo a atual empresa por meio de um contrato emergencial de cerca de seis meses, até encontrar uma possível solução. 

“O que não pode é uma empresa, para ganhar licitação, fazer uma proposta de licitação bem baixinha, reduzir o salário dos trabalhadores pela metade para viabilizar um contrato”, afirma ele.

Preocupação

Durante a reunião, outra preocupação levantada foi com a possibilidade de a empresa substituir os trabalhadores por outros que não tenham experiência no ramo e que talvez nunca tenham conduzido ambulâncias. Segundo Calazans, isso pode ocasionar uma precarização de um serviço essencial.

Francisco Roberto trabalha há 14 anos no Samu de BH como motorista e destaca que atua para preservar vidas.

“A gente tem contas para pagar. Como estão sendo retirados o plano de saúde, o vale alimentação, a nossa cesta básica, como que a gente vai viver com R$ 1.800?”, questiona. “Para mim, é uma desvalorização do profissional de saúde, do condutor, e creio que para a gente não vai ser viável continuar nesse sistema com um salário desse. Infelizmente, serão 14 anos de trabalho para ser mandado embora, ou seja, eu vou ficar desempregado”, diz.

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