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Número de mortes por Covid cai em MG, mas cuidados devem ser mantidos

Pela quarta semana consecutiva, Minas tem registros de uma única morte em 24 horas. Mas dados estão represados e população deve se manter alerta

Por Cinthya Oliveira
Publicado em 07 de dezembro de 2021 | 03:00
 
 
 

Em um ano marcado por milhares de mortes diárias por Covid, é muito bom ver a grande queda no número de internações e óbitos pela doença em todo o país. Em Minas, pela quarta semana consecutiva, o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) indicou registro de uma única morte em decorrência do coronavírus em 24 horas.

Mas ainda não é hora de se esquecer das medidas de prevenção, alerta Geraldo Cunha Cury, infectologista e professor da Faculdade de Medicina da UFMG. A pandemia não foi embora, tanto que desde o primeiro dia de dezembro, 124 mortes por Covid foram registradas em Minas – os boletins que apresentam uma única morte, na verdade, são reflexos de dados represados no sistema. A SES-MG explica que, nos fins de semana e feriados, observa-se diminuição nos registros, provavelmente por falta de equipe nos municípios para alimentar os sistemas oficiais. Os dados represados são informados no decorrer da semana.

“Nós estamos em um momento em que é bom ver uma queda no número de mortes e internados por Covid, entretanto, a situação ainda é preocupante. O número de pessoas vacinadas ainda não é ideal. Muitas pessoas não querem tomar a vacina e várias tomaram a primeira dose, mas não voltaram para a segunda”, afirma o professor.

Segundo levantamento da SES-MG, cerca de 10% dos adultos e 30% dos adolescentes entre 12 e 17 anos que moram no Estado não foram imunizados contra a Covid. Mais de 2,5 milhões de pessoas não voltaram para a segunda dose. “Tem que deixar claro para a população que é preciso se vacinar e ponto. Ouvi gente dizendo que não vai tomar a dose de reforço porque tem medo de alguma reação. Ela pode ter uma febre, uma dor local, mas isso é muito pequeno perto do que é ter a doença, que pode levar a um quadro grave”, diz Cury.

Cury lembra também que não temos muitas informações sobre os impactos da variante ômicron, que tem sido detectada em várias partes do mundo em poucos dias. “Aparentemente, ela tem grande capacidade de difusão entre as pessoas. Não se sabe a capacidade da variante de produzir casos mais graves, isso só poderemos saber com o tempo, não é do dia para a noite. Por isso, temos que nos preocupar com as aglomerações do fim de ano, que são um caldo de cultura para o vírus se multiplicar, favorecendo o surgimento de outras variantes”, afirma o infectologista, reforçando que, mesmo entre vacinados, é fundamental manter o uso de máscaras.

O fato de muita gente estar deixando de lado o uso da máscara em meio à multidão, como tem acontecido nos estádios de futebol, provoca grande preocupação entre os especialistas, segundo Cury. “Dizem que não tem problema porque todos ali estão vacinados, mas essa é uma falácia que temos de derrubar. Para evitar a disseminação do vírus, temos que combinar vacinação em massa e uso de máscaras. Não vamos ficar livres da máscara por um bom tempo”.  

 

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