Pampulha

Setembro amarelo: caminhada em BH lembra a importância da prevenção ao suicídio

Ato busca promover conscientização sobre os cuidados com a saúde mental

Por Hellem Malta
Publicado em 11 de setembro de 2021 | 11:00
 
 
 

Um grupo de médicos, alunos de medicina, soldados do exército e profissionais da saúde mental se reuniram na manhã deste sábado (11), na Pampulha, para realizar uma caminhada pelo Setembro Amarelo. A iniciativa faz parte da Campanha Mundial de Prevenção ao Suicídio de 2021 e tem o objetivo de informar e conscientizar a sociedade sobre a importância de prevenir o autoextermínio e alta taxa de suicídio no mundo.

Vestidos com camisetas da campanha e usando máscaras amarelas, eles saíram da porta do Estádio do Mineirão e seguiram caminhando até a Igrejinha da Pampulha, com balões nas mãos e segurando uma faixa com a seguinte mensagem: “A doença mental também mata! S.O.S Psiquiatria”. Durante o trajeto, o grupo distribuiu 500 máscaras para a população. 

De acordo com o presidente da Associação Mineira de Psiquiatria (AMP) e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Humberto Correa, o Setembro Amarelo foi instituído no Brasil desde 2014 e o país ainda é um dos únicos no mundo em que os números de suicídio continuam aumentando.

“Suicídio é questão de saúde pública. No Brasil, segundo o Datasus, são quase 15 mil mortes todos os anos por suicídio e é absolutamente negligenciado. O Brasil não tem nenhuma política pública para a prevenção do sucídio e é um dos grandes países do mundo que ainda não fez o seu dever de casa. O reflexo disso é que no mundo as taxas de suicídio caíram nos últimos 20 anos e no Brasil as taxas aumentaram 40% nesse período”, diz.

Por isso, a AMP e outras entidades que participaram do ato como a Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), Conselho Regional de Medicina, Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG) e a Ordem dos Advogados do Brasil de Minas Gerais (OAB-MG) querem sensibilizar a sociedade sobre o assunto, para que a população exija que o poder público crie políticas públicas que ajudem a evitar e assim diminuir esse tipo de morte no país.

“O suicídio pode ser evitado. Vários países já conseguiram fazer isso criando políticas públicas de prevenção, dentro da sua realidade. É muito importante dizer que o suicídio está quase sempre associado a uma doença mental. Então nós precisamos de uma assistência em saúde mental pública que seja de qualidade efetiva para a nossa população. Infelizmente,  o nosso sistema de saúde pública em saúde mental no Brasil é de péssima qualidade. O reflexo disso são as taxas de suicídio que só aumentam no nosso país”, afirma Humberto Correa.

Problema grave - Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o suicídio é um grave problema de saúde pública. Cerca de 800 mil pessoas em todo o mundo morrem por autoextermínio - um suicídio a cada 40 segundos - e um número ainda maior tenta previamente se matar, conforme aponta uma pesquisa feita pela OMS em 2016. Só no Brasil foram registrados 13.467 suicídios, uma taxa de 6,1 a cada grupo de 100 mil mortes. 

Trata-se da segunda principal causa de morte entre jovens, com idade entre 15 e 29 anos, e  segundo a OMS, 79% dos suicídios no mundo ocorrem em países de baixa e média renda.

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