O deputado distrital Fábio Félix (PSOL) pediu ao Banco Central para suspender a compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília) devido à relação do Master com uma das empresas alvo da operação desta quinta-feira (28/8) contra o crime organizado, a Reag Investimentos. No pedido, Félix aponta que a Reag Investimentos é uma das controladoras do Will Bank, braço digital do Banco Master, que o BRB pretende comprar.
"Essas relações indicam um emaranhado de vínculos entre o Banco Master e estruturas financeiras que aparecem mencionadas em apurações relacionadas à operação Carbono Oculto. É nesse emaranhado suspeito que o BRB, patrimônio do Distrito Federal, pode ser envolvido", afirma o documento. O deputado afirma que a Reag e o BRB mantêm relações que antecedem o negócio do Master por meio do fundo Borneo FIP Multiestratégia.
Na assembleia geral extraordinária dos acionistas do BRB, que aprovou ações preparatórias para a aquisição do Master em 12 de março, a ata indica que o representante da Borneo se absteve da votação. "De forma estratégica, o representante se absteve na votação - votar a favor poderia configurar abuso do direito de voto [...] por se tratar de um representante com interesses do lado do comprador e do vendedor. Isso significa que a Reag, alvo da operação Carbono Oculto, detém interesses de comprador e vendedor na operação entre BRB e Master", diz a representação.
Listada na B3 (Bolsa de Valores brasileira), a Reag Investimentos é uma das maiores gestoras independentes do país, ou seja, sem ligação com um banco. A empresa foi um dos alvos de busca nessa quinta. Segundo a força-tarefa, cerca de 40 fundos são suspeitos de serem utilizados pelo PCC e por suas gestoras.
O BRB anunciou a compra de 58% das ações do Banco Master em março, mas o negócio ainda depende de aval do Banco Central. No último dia 19, a Câmara Legislativa aprovou o projeto do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que libera a compra. O texto foi sancionado no dia seguinte.
O deputado distrital pede ao Banco Central a suspensão da análise da venda até o final da operação Carbono Oculto, além de avaliação de rico ao patrimônio do DF com a incorporação do Master ao BRB.
"A operação de compra do Banco Master pelo BRB, diante do contexto exposto, pode significar a incorporação de ativos de risco ou mesmo de ativos contaminados por ilícitos, colocando em perigo a estabilidade financeira de um banco público e, portanto, o patrimônio do povo do Distrito Federal", diz o documento.
O BRB foi procurado, mas não houve resposta. Em nota, o Banco Master informou que "a Reag é uma prestadora de serviços do Banco Master, e tem como atividades a gestão e a administração de fundos. É uma entre outras entidades financeiras que prestam serviços nesta atividade. O Master é apenas um entre centenas de clientes da Reag". A Reag confirmou ter sido alvo da operação e disse que colabora com a investigação. As ações da empresa caíram mais de 12% no Ibovespa nessa quinta em virtude da operação.
Félix acrescenta que Master (à época Banco Máxima) e Reag também foram alvo da operação Fundo Fake da PF, em 2020. Indicou que o Master (na época Banco Máxima) e o Reag, em conjunto com outros fundos de investimento, aplicaram golpes em fundos de pensão de funcionários públicos, entre 2010 e 2017.
Levantamento da reportagem indica que 18 dos 34 fundos declarados pelo Banco Master são administrados pela Reag Investimentos e pela Trustee DTVM, outro alvo da operação desta quinta-feira.