A infiltração de grandes organizações criminosas em Minas Gerais dá sinais de crescimento. Em cinco anos, o número de presos que fazem parte desses grupos, incluindo Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), cresceu 55,2%. Em 2019, os integrantes dessas facções dentro das cadeias localizadas no estado eram 1.900. Em 2024, esse volume saltou para 2.950. Os dados foram obtidos pela Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A atuação do PCC, inclusive, é alvo da megaoperação Carbono Oculto, que mira um esquema bilionário do PCC, que se estende desde instituições financeiras listadas na B3 até postos de combustível. Trata-se da maior operação contra o crime organizado da história do país em termos de cooperação institucional e amplitude, segundo a Receita Federal. São mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas suspeitas de crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.

Para o deputado Sargento Rodrigues (PL), presidente da comissão de Segurança Pública na ALMG, o número de presos membros desses grupos em Minas revela que, apesar de haver uma boa atuação da polícia no sentido de localizar e prender essas pessoas, há um sinal claro de maior penetração desses grupos no estado. “Ficou claro que as facções estão invadindo Minas Gerais”, frisa. “Em BH temos casos no Serra, no Morro das Pedras… o Cabana foi tomado pelo Comando Vermelho”, exemplifica.

O deputado aponta ainda que, no mesmo período em que os grupos criminosos cresceram em Minas, o contingente de policiais não aumentou e os investimentos em segurança pública ficaram abaixo do esperado, o que, na visão dele, pode ter aberto as portas para a atuação dessas facções. “Em 2019, nós tínhamos em torno de 45 mil homens na Polícia Militar, hoje temos 42 mil. O efetivo na Polícia Civil não cresceu, hoje gira em torno de 11 mil”, pontua. “Em 2024, nas quatro áreas - Bombeiro, PM, PC e Sejusp - foram investidos R$ 330 milhões. Desses, apenas R$ 110 milhões foram do governo do estado, que é quem mais deveria investir na segurança”, cita.

Vale lembrar que, em maio, viaturas da Polícia Civil foram afetadas por um limite de abastecimento com combustível imposto pela administração estadual após o governador Romeu Zema (Novo) anunciar um corte de R$ 1,1 bilhão em recursos. Elas só poderiam ser abastecidas, no máximo, cinco vezes por mês. “É uma vergonha!”, diz Sargento Rodrigues.

Para o deputado, para frear o avanço das organizações criminosas no estado, é preciso um trabalho conjunto entre as polícias Civil e Militar, Ministério Público estadual e federal, Polícia Militar Rodoviária e Polícia Federal. “Uma atuação conjunta, firme e permanente no estado, sem isso não se vence a batalha”, defende.