Onda de calor

Ar-condicionado pode ser 'estrela' da Black Friday

A procura pelo equipamento já subiu 23,48% e o preço teve alta de 6,15% na semana terminada em 11 de novembro ante a semana anterior


Publicado em 15 de novembro de 2023 | 09:45
 
 
 

As altas temperaturas podem transformar o aparelho de ar-condicionado na "estrela" da Black Friday de 2023, que será realizada na sexta-feira, 24 de novembro.

O produto e seus similares, como ventilador, climatizador de ar e umidificador, devem dominar a preferência de compra dos clientes na tradicional data de ofertas do varejo.

A procura pelo equipamento já subiu 23,48% e o preço teve alta de 6,15% na semana terminada em 11 de novembro ante a semana anterior, segundo dados da Mosaico, plataforma que controla os sites de comparação de preços Zoom e Buscapé. E as expectativas são de que aumentem ainda mais até o dia 18.

Com a busca pelo item superando os celulares campeões nos buscadores na segunda (13), dia em que as temperaturas bateram recordes em todo o país, Maurício Cascão, diretor-executivo da Mosaico, afirma que esse é um sinal de que o conforto térmico deve ditar o tom das compras em 2023, como já ocorreu em anos anteriores, mas com outra intensidade.

O interesse do consumidor eleva os preços para cima. "O varejo funciona na base da oferta e da procura, então você vê uma confluência de fatores", diz ele, lembrando que quanto mais gente mostra interesse por um produto, mais caro ele fica.
A preferência do consumidor pelo ar-condicionado ainda não superou os dados da semana de 24 de setembro, quando a primeira onda forte de calor tomou conta do país. Na ocasião, as buscas subiram 101% em relação aos sete dias anteriores e o preço teve alta de 7,42%.

O valor médio, porém, está maior em novembro do que em setembro, e chega a R$ 2.228. Em setembro, estava em R$ 2.086. O valor mínimo, no entanto, é de R$ 1.485 e o máximo, de R$ 4.932.

Cascão, acredita, no entanto, que os preços devem ter queda na Black Friday, com boas ofertas no varejo, já que as empresas investem pesado no que consideram os cinco melhores dias do mês, a quinta, prévia da sexta tradicional, o sábado, o domingo e a segunda, chamada de Cyber Monday e considerada da "Xepa" da data.

"Haverá boas ofertas, com preços mais competitivos. Havia uma demanda reprimida e o varejo vai investir. São cinco dias que valem por um mês inteiro."

O executivo afirma que o consumidor menos treinado pode pagar mais, mas quem se prepara consegue boas ofertas. A principal dica é escolher o modelo que quer comprar, monitorar preços, ativar notificação para quando o buscador encontrar o menor valor na internet e fechar a compra, senão, pode perder a oferta.

Toríbio Rolon, presidente do departamento nacional de comércio e Distribuição da Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento), afirma que, ao escolher o ar-condicionado, o consumidor deve levar em conta alguns fatores, mas o principal deles é o selo de eficiência energética.

O selo Procel indica ao consumidor os produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética, fazendo com que o gasto na conta de luz seja menor. Além disso, é preciso saber o tamanho do ambiente e o número de pessoas que ali ficarão.
A tecnologia do item deve ser a inverter, que auxilia na economia de energia. Segundo ele, aparelhos inverter eram 50% mais caros que os demais, hoje, essa diferença caiu para 20%. Para instalar, será preciso contratar um profissional.

Sobre os preços em alta dos aparelhos de ar-condicionado, ele diz que devem continuar assim por alguns meses, por conta justamente da emergência climática, que agravou a seca no Amazonas. "É a tempestade perfeita para pressionar preços, com calor forte e questões logísticas."

A melhor época para comprar, diz Rolon, é no inverno, mais curto neste ano. No verão, o valor sempre sobe. Para ele, as altas temperaturas devem seguir assim até abril.


Busca por ventilador e umidificador sobe ainda mais

As buscas por ventiladores, climatizadores de ar e umidificadores estão maiores do que por ar-condicionado, mostram os dados da Mosaico. Para especialistas, o motivo é o preço mais competitivo, já que são itens mais em conta, mas com funções diferentes.

O umificador foi o que mais subiu. A alta na procura foi de 132,18% na semana terminada em 11 de novembro ante os sete dias anteriores. O preço aumentou 11%. No caso dos ventiladores, aumento de busca pelo item foi de 44,75%, mas o valor médio caiu para 7,83%. Climatizadores tiveram buscas elevadas em 34,41%, com alta de 19,38% no preço.

Ventiladores são encontrados, em média, por R$ 200, valor mínimo é de R$ 84 e o máximo, de R$ 485, dependendo do modelo. Climatizadores custam R$ 727, com valor mínimo em R$ 342 e máximo em R$ 1.896. Já os umidificadores têm preço médio de R$ 131, com mínimo de R$ 46 e máximo de R$ 263.
A função dos produtos, porém, é diferente. No caso do ar-condicionado, explica Rolon, o que ele faz não é congelar o ar, mas retirar a molécula de calor da atmosfera, trazendo sensação térmica mais agradável, mas pode ressecar o ambiente.

Vejas as diferenças e como escolher o modelo de ar-condicionado

Ventiladores e circuladores de ar ventilam o local específico para onde estão apontados. Climatizadores causam um certo esfriamento e os umidificadores garantem a umidade do ar, em especial nesta época de seca. Talvez por isso seus preços e procura tenham subido mais.

(Cristiane Gercina/Folhapress)

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