Economia

Reajuste do salário mínimo impacta custos das empresas, mas também eleva receita

De um lado, companhias pagam mais impostos, mas por outro, as famílias tendem a consumir mais com a renda maior

Por Alexandre Nascimento
Publicado em 07 de fevereiro de 2024 | 06:00
 
 
 

O novo valor do salário mínimo de R$ 1.412 começou a ser pago neste mês de fevereiro para os trabalhadores brasileiros. Até o ano passado, o mínimo estava em R$ 1.320. O reajuste para este ano foi de 6,97%, três pontos percentuais a mais do que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que encerrou 2023 em 3,71%.

Setores que contratam muitos funcionários dentro desta faixa de renda, como os de alimentação e de serviços gerais, acabam tendo um impacto muito grande nos custos. Isto porque além do valor que precisam reajustar os salários, também há aumento nas obrigações trabalhistas e previdenciárias.

Por outro lado, as empresas também se beneficiam quando o valor do salário mínimo sobe. O motivo é o aumento do dinheiro em circulação na  economia. Com renda maior, as pessoas aumentam o consumo e as empresas também faturam mais. 

“As famílias que tiveram reajustes dos seus salários poderão consumir mais. Isso significa mais vendas, mais contratações de serviços e portanto o valor retorna em parte para as empresas com maiores receitas”, afirma Diogo Santos, economista e consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (IPEAD/UFMG). 

O especialista levanta outra questão: o valor do salário mínimo é reajustado apenas uma vez ao ano, ou seja, enquanto os preços de vários produtos sobem, a renda permanece a mesma.

“Ao longo desse período em que os preços subiram e os salários não, as empresas absorveram esse aumento de preços para pagar os seus custos que também aumentaram durante esse período, como os de matéria-prima, de insumos ou para melhorar as suas margens nesse período de aumento de preços sem aumento de salários”, destaca Santos.

Outro ponto analisado pelo economista da Fundação IPEAD é a concorrência, que muitas vezes impede que as empresas repassem imediatamente para os consumidores o valor do reajuste do salário mínimo. 

“Pode haver uma situação em que a concorrência, em determinado momento, não permita que as empresas possam repassar para os seus preços esse aumento da reposição do salário mínimo, que é uma reposição em relação à inflação do ano anterior. Então, a depender da forma como a concorrência está em cada setor, pode ser que as empresas consigam repassar ou não para os seus preços esse aumento de salários”, conclui.  

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que 59,3 milhões de pessoas ganham um salário mínimo no Brasil, o que provocaria um incremento da renda anual no montante de R$ 69,9 bilhões no país. O Dieese avalia também que o reajuste do salário mínimo provocará um incremento de R$ 37,7 bilhões na arrecadação tributária anual sobre o consumo no Brasil.

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