O passado deve ficar no passado? Aqui não me refiro ao passado desta vida, mas o de vidas pretéritas. Até que ponto conhecer quem fomos pode somar em nossa vida atual? O esquecimento que nos foi dado seria proposital? Quem responde a essas perguntas é Telma Saliba Silva Roser, sensitiva, vidente e estudiosa de vidas passadas há 35 anos. 

“Se não definirmos quem fomos, não vamos saber quem seremos. Quando eu acesso o passado de uma pessoa, vejo o seu presente e o seu futuro com muita nitidez e as resoluções que ela deve tomar. O passado define carmas e soluções por meio do livre-arbítrio”, diz a sensitiva. 

Telma revela que “aquilo que não sabemos é porque ainda está no nosso inconsciente ou porque não vivenciamos. Viemos nesta vida para trabalhar algo que precisamos aprender. A vida passada nos conduz para esse presente e para o futuro que teremos. Ela é a pedra fundamental da nossa vida”. 

O conceito de vida passada extrapola a visão espírita. “A reencarnação foi reescrita por Alan Kardec, mas sua origem está na filosofia grega. Os gregos sabiam da reencarnação e de todo o acervo que uma pessoa traz de uma vida para outra. Todo o conhecimento adquirido em uma vida, os talentos, qualidades, limitações e fraquezas que um indivíduo acumulou em uma existência, ele leva para a encarnação seguinte. E ele começa seu aprendizado a partir daquele ponto”, comenta Telma. 

Para ela, “é muito importante o conhecimento do passado da alma, da sua essência, para ressignificar o presente, trabalhar os traumas, as tristezas e as perdas que não pertencem a essa existência atual. Sócrates, o filósofo grego, já dizia: ‘Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses’”. 

Sócrates e Pitágoras foram reencarnacionistas. “Pitágoras pegou um escravo que não sabia nada e o submeteu a uma regressão. Ele começou a desenhar ângulos e exibiu muito conhecimento de geometria. A sabedoria que trazemos de uma vida para outra é muito importante porque ela te reconduz ao seu presente e ao seu futuro. Isso é claro”, ensina a sensitiva. 

Sempre reencarnamos com pessoas com as quais convivemos em outras vidas. “É onde temos que trabalhar, onde estão nossas pendências. O espiritismo fala que nossos familiares são pessoas com as quais vivemos, por isso nosso carma está sempre em família, que pode ser nosso aprendizado. Um exemplo: uma pessoa assassinou alguém em uma vida passada e na atual volta como seu pai. Ou seja, nesta existência a pessoa dá a vida a quem matou, vai amar, cuidar, se dedicar a ela sem necessidade de ser um prisioneiro desse carma, mas cultivando o amor. O ódio é transformado em amor, e a pessoa deixa de repetir os erros do passado”, observa Telma. 

Quem orienta o trabalho de Telma é o mestre Philippe de Lyon (1849-1905), grande ocultista nascido na França e que acumulava inúmeras atividades relacionadas com a iniciação, medicina e sessões de orações e de curas. Ela o chama de Anthelme Felipe e começou a vê-lo quando tinha 5 anos. “Vejo o passado da pessoa como se fossem flashes de um filme”, define. 

SERVIÇO: O contato com a sensitiva pode ser feito pelo e-mail: telmasaliba@hotmail.com ou pelo Instagram @telmabh 

Visões começaram aos 4 anos 

O percurso percorrido por Telma Saliba Silva Roser foi curioso. “Quando tinha 1 ano, levei um tombo e caí de cabeça no cimento, ocasionando um tumor no cérebro. Em 1954, meu pai me levou para Congonhas para ser atendida pelo Zé Arigó, que incorporava o espírito do médico alemão Fritz. Ele enfiou algo em meu ouvido e expurgou o tumor, que saiu em forma de pus. Disse ao meu pai que eu estava curada, mas que minha mediunidade estava aberta”, relembra a sensitiva. 

O ouvido esquerdo sempre foi problemático, inflamava sempre. Aos 4 anos ela perdeu a audição total desse ouvido. “Meu pai era farmacêutico prático e tinha esperança que o tímpano pudesse se recompor. Não aconteceu. Só tenho a audição do ouvido direito”, conta.

Aos 4 anos ela perdeu a audição total do ouvido esquerdo. Entre 4 e 5 anos, começou a ter visões. “Eu ficava horas sentada na cama, olhando para a parede branca. Nela passava um filme. Meu pai, incomodado com a situação, perguntou por que eu ficava daquele jeito. Disse a ele que eu ia a lugares diferentes e via uma legião de homens com sandálias, que estive em Katmandu e subi muitas montanhas. Ele achou que eu era esquizofrênica, mas acabou admitindo minha vidência”, relembra. 

Telma revela que foi difícil conviver com a mediunidade sendo tão nova. “Eu não entendia o que eu via. Não conhecia aquelas pessoas e nem aqueles lugares. Não sabia de onde vinham aquelas imagens”, diz. (AED) 

Ajuda para as pessoas se libertarem de suas prisões cármicas 

Seu pai e cinco amigos da Sociedade Teosófica fizeram um ritual para blindar sua mediunidade por um tempo. Deu certo, até ela menstruar aos 10 anos. “Passei a ter as mesmas visões de antes, mas tinha um senhor que conversava comigo e falava que nós temos outras vidas e que eu iria aprender a entender sobre isso. Eu rejeitei tudo aquilo, mas as visões continuaram até que meu pai disse que eu não tinha permissão para invadir a vida espiritual de outra pessoa, somente se ela permitisse”, explica Telma Saliba.

Como seu pai era muito instruído dentro da teosofia e um excelente quiromante, ele a aconselhou estudar os oráculos, a fim de educar sua vidência. “Esses oráculos foram necessários para educar minha vidência, limitando minha frequência espiritual para que eu não tivesse uma vidência solta. Quando comecei a atender as pessoas, meu mestre me orientava, ensinava e sustentava”, relembra a sensitiva. 

Anthelme Felipe, diz Telma, “me apresentou uma realidade em que todos nós temos outras vidas e afirmou que havia chegado minha hora de ajudar as pessoas a se libertar de suas prisões cármicas, a entender o carma, não se condenarem e a melhorar o aprendizado espiritual. E assim estou até hoje”. 

A mão traz linhas dessa e de outras vidas intercaladas. “Mapeio a mão da pessoa para sentir os sinais da outra vida e vejo os carmas que foram se formando a partir dos 15 anos e aí busco as referências em outras vidas”, finaliza Telma. (AED)