Uma paciente de 81 anos, diagnosticada com Covid-19 e gripe, morreu na Santa Casa de Misericórdia de São João del-Rei, no Campo das Vertentes, nesse sábado (15). Agora, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) investigará a relação da morte com a “flurona”, coinfecção pelo coronavírus e pelo vírus da gripe. De acordo com a SES-MG, esse foi o "primeiro óbito com codetecção de Influenza/SARS-COV-2 pelo município de Barroso, na região Centro-Sul do Estado".

A paciente, que tinha comorbidades, foi admitida primeiro no hospital de Barroso, na Zona da Mata, segundo a prefeitura da cidade, no dia 3 de janeiro, ainda com teste negativo de Covid-19. Após piora do quadro, ela foi transferida para São João del-Rei no dia 5 e fez testes de Covid-19 e para detecção de H3N2, causador da gripe. 

O resultado positivo do teste de Covid-19 saiu no dia 8 de janeiro e o gripe, no dia 15, quando a paciente morreu. “O caso segue em análise e investigação nos órgãos competentes do Estado. Aos familiares e amigos da vítima nossos sinceros sentimentos. Recomendamos a todos os cuidados como uso de máscara e álcool em gel, o distanciamento social e também a vacinação completa”, reforça a prefeitura de Barroso, por meio de nota. A reportagem questionou a SES-MG sobre a evolução da investigação e aguarda retorno. 

A última atualização da secretaria, realizada nesta terça-feira (18), compilava 26 casos confirmados de "flurona"em 15 cidades com confirmação laboratorial, são eles: Araxá (2), Barroso (1), Belo Horizonte (1), Bom Sucesso (2), Ipatinga (1), Itamonte (1), Juiz de Fora (5), Monte Carmelo (1), Montes Claros (2), Poço Fundo (4), Ponte Nova (1), São João Del Rey (2), São Lourenço (1), São Sebastião do Paraíso (1), Uberlãndia (1)

Na última semana, o prefeito da cidade de Barroso, Anderson Geraldo de Paula (DEM) e a primeira-dama e secretária de Assuntos Institucionais, Luciana Lima, também testaram positivo para Covid-19, porém apresentam sintomas leves, de acordo com o governo municipal. 

Risco é maior para idosos

Não há evidências de que a coinfecção pelo vírus Influenza e pelo coronavírus cause, por si só, um quadro mais grave nos pacientes. Para os grupos que têm maior chance de agravamento pelas duas doenças, porém, como os idosos, o cuidado precisa ser redobrado. 

“A ocorrência de dois vírus respiratórios ao mesmo tempo não é infrequente e não é algo que nos assusta. A única preocupação é quando essa coinfecção acomete idosos, crianças e pessoas com imunossupressão, que podem ter agravamento de uma das doenças”, pontuou a infectologista e professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Raquel Stucchi, quando o primeiro caso de "flurona" foi detectado em Belo Horizonte, na última semana. Os sintomas das duas doenças são parecidos e somente um teste pode confirmar qual vírus infectou o paciente. 

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) reforça que a coinfecção por duas doenças respiratórias não é considerada incomum. “Antes da pandemia de Covid-19, não era raro haver a detecção laboratorial simultânea do Influenza e outros vírus respiratórios (vírus sincicial, rinovírus, dentre outros), conforme observado na rotina da Vigilância Sentinela da Síndrome Gripal (SG)”, detalha, por meio de nota. 

Os cuidados preventivos contra as doenças são os mesmos: uso de máscara bem-ajustada ao rosto, evitar aglomerações, higienizar as mãos e privilegiar locais abertos ou arejados.