“Temos três ‘lagoas da Pampulha’. É preciso ter uma só". A fala é do professor Geraldo Fernandes, do departamento de genética, ecologia e evolução da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O especialista foi entrevistado por O TEMPO após anúncio de que as prefeituras de Belo Horizonte e Contagem e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) vão assinar, nessa quinta-feira (7), um convênio para implementação do Plano de Ação para Despoluição da Lagoa da Pampulha, com previsão de implantação de cinco anos. Os investimentos giram em torno R$ 146,5 milhões.
Para o professor, a ação é um “bom começo”. Ele ressalta que “a vida toda” a lagoa vem sendo despoluída, mas que “nunca termina”. De acordo com Fernandes, atualmente se tem três lagoas: a que existe biologicamente, uma “feia e mal cuidada” e a outra limpa, cartão-postal da capital mineira.
Segundo o professor, as próximas medidas deverão focar a lagoa “como um todo”, atuando em todas as partes dela. Fernandes salienta que o Plano de Ação para Despoluição da Lagoa da Pampulha é de fato importante. Caso contrário, ela pode desaparecer.
“Se nada for feito, a lagoa pode desaparecer. A quantidade de material, de lixo, que chega nela é muito alta. Se chegar mais do que se remove, é uma questão matemática: pode sumir”, diz ele.
O professor também afirma que, além das ações governamentais, é importante que a população tenha consciência ambiental. “É preciso que as pessoas preservem o meio ambiente. Há muitos que jogam de tudo no lixo, por exemplo, o que não deveriam”, afirma.
Histórico
Não é de hoje que ações têm sido feitas para limpeza da lagoa da Pampulha. Mais recentemente, em 2018, foi firmado um contrato com o Consórcio Pampulha Viva, com investimentos anuais de cerca de R$ 16 milhões para tratamento da água. O documento pode ser prorrogado sucessivamente a cada 12 meses até o limite de 60 meses. Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), os serviços de manutenção do espelho d´água se mantêm com frequência diária, e não houve interrupção na pandemia.
“Os Serviços de Tratamento da Água da Lagoa da Pampulha contemplam a aplicação de uma solução que se utiliza de duas tecnologias distintas e complementares. Uma consiste na aplicação de um Biorremediador destinado à desinfecção e degradação de matéria orgânica e a outra na aplicação de um Remediador Ambiental Físico-Químico desenvolvido especificamente para reduzir as concentrações de fósforo em ambientes aquáticos”, diz a PBH.
No que diz respeito ao desassoreamento, serviços também tiveram início em 2018 e terminaram em setembro do ano passado, com investimentos de R$ 37,5 milhões e retirada de aproximadamente 520 mil metros cúbicos de sedimentos e resíduos do fundo do manancial.
Segundo a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) a limpeza do espelho d’água da lagoa é realizada diariamente. O volume de lixo flutuante recolhido é de, em média, cinco toneladas diárias no período de estiagem e dez toneladas no período chuvoso.