Tendência

Lojas colaborativas dão visibilidade a empreendedores

Modelo que une marcas diversas em espaço compartilhado cresce em BH

Qua, 31/07/19 - 03h00

As lojas colaborativas, em que pequenos empreendedores compartilham um mesmo espaço, chegou para ficar em Belo Horizonte. Neste mês, a Endossa, que aluga caixas para as marcas exporem seus produtos, inaugurou uma franquia na capital com todos os 106 espaços disponíveis já ocupados e mais de 500 pessoas na fila de espera. Além de BH, o empreendimento está em São Paulo e Brasília.

“É um espaço compartilhado entre pequenas marcas para que elas possam ter boa localização e estrutura, sem precisarem fazer um grande investimento”, explica a franqueada e gerente da Endossa na cidade, Bárbara Magalhães. Segundo ela, 80% das marcas expostas são mineiras.

A loja tem expositores de diversos segmentos, como roupas, acessórios e decoração. O valor pago por eles depende do tamanho da caixa alugada e varia de R$ 150 a R$ 420 – para continuarem na loja, as marcas têm que vender, no mínimo, o equivalente ao aluguel todos os meses.

A Endossa também fica com 19% das vendas de cada marca, para gastos como impostos e marketing. A equipe da loja cuida da manutenção dos espaços e das vendas – os empreendedores só repõem os produtos e decoram. 

Para Bárbara, as lojas colaborativas são uma tendência. “Quando você compra em uma grande loja, ajuda alguém a ter mais dinheiro, mas, quando compra no pequeno, faz muita diferença na vida dos empreendedores. Queremos que eles cresçam aqui”, diz.

A marca de presentes Broto ao Cubo já participa da Endossa em outras cidades e, agora, está em Belo Horizonte. “O público conhece melhor o nosso trabalho, e a gente consegue se manter em um ponto de venda super legal por um preço justo”, conta a sócia Marina Garcia.

Maternidade. Desde junho na capital, o Espaço Colaborativo Amor de Mãe, que reúne mães empreendedoras no Shopping Del Rey, também tem tido bons resultados. Lá, 40 mulheres expõem produtos, como roupas e calçados, e dez oferecem serviços, como fotografia e decoração. 

“A realidade das mulheres no mercado é muito cruel, muitas perdem emprego quando voltam da licença-maternidade ou têm dificuldade de se realocarem após a maternidade, por isso queremos investir no empreendedorismo materno”, diz a idealizadora da loja, Márcia Machado. O shopping adotou um modelo de negociação diferenciada com a loja, e as expositoras dividem as despesas do espaço. Mais de cem mulheres estão na fila de espera, e o grupo já recebeu convite de outros dois shoppings.

Onde. A Endossa fica na rua Sergipe, 1179, na Savassi. Já o Espaço Colaborativo Amor de Mãe fica no Shopping Del Rey, na avenida Presidente Carlos Luz, 3001, na Pampulha.

Lojistas economizam custos, e consumidor tem diversidade

As lojas colaborativas têm tudo para crescer e beneficiam todas as partes, segundo a analista do Sebrae Minas, Paula de Vasconcelos. “O empreendedor tem uma barreira de entrada muito menor. O consumidor está cada vez mais buscando o simples, e a loja colaborativa tem uma afinidade com o que ele quer. Para o dono da loja, é uma forma de compartilhar o custo”, diz.

Janaína Girotto, 44, expõe aromatizadores de ambiente e sabonetes, entre outros produtos, no Espaço Colaborativo Amor de Mãe, no Shopping Del Rey. Ela tem uma rotina corrida, dividida entre os cuidados do filho de 11 anos com síndrome de Down e o trabalho como servidora pública. “Seria impossível para mim colocar uma loja em shopping. Aprendo muito lá”, conta Janaína, que trabalha no espaço aos sábados.

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