JOSÉ REIS CHAVES

Em teologia não sejamos um moleque, saibamos, pois, o que é filioque

Imperador Constantino pressionou pela divinização de Jesus

Por Da Redação
Publicado em 08 de julho de 2013 | 03:00
 
 
DUKE

Os teólogos nunca falam em alguns dogmas em público, por serem polêmicos. E, para eles, o zé-povinho não precisa conhecer certas doutrinas, que são só para eles, intelectuais e teólogos!

Tudo começou com o polêmico Concílio Ecumênico de Niceia (hoje Isnique, na Turquia). Polêmico, porque os bispos participantes dele foram pressionados pelo imperador Constantino, com ameaças de exílio, tortura e morte, para quem não votasse na divinização de Jesus. Os ânimos estavam muito exaltados. Alguns bispos foram acompanhados de seus seguranças armados. E, segundo Helena Blavatsky (“Doutrina Secreta”), um bispo matou outro a chutes. Como se vê, os bispos estavam inspirados, porém, não por um espírito ou espíritos de Deus, mas por espíritos impuros, atrasados.

Com a vitória de Constantino, ou seja, a divinização de Jesus, foi também dado o primeiro passo para a criação da Santíssima Trindade, que recebeu impulsos nos concílios de Constantinopla (381), de Éfeso (431), de Calcedônia (451) etc. Mas, para os apóstolos e as primeiras gerações de cristãos, Jesus era um homem, o Messias, e não outro Deus. E eles não conheciam também a Santíssima Trindade, que não é doutrina da Bíblia, mas que foi acrescentada a ela, posteriormente.

E foi quase um milênio depois do Concílio de Niceia, que o Concílio Ecumênico de Leão (1.274), na França, criou mais outro dogma, o Filioque (expressão latina: “e do Filho”), que dá mais poder a Jesus, para enfraquecer os teólogos contrários à sua divinização. E como se sabe, na época, quem fosse contra um dogma, morria na fogueira da Inquisição.

Os teólogos do Filioque defenderam a ideia de que o Espírito Santo procede de Deus, o Pai, e do Filho. Com isso, tentaram mostrar que Jesus é outro Deus Todo-Poderoso como o é o Deus Pai, introduzindo no cristianismo o politeísmo. E a Bíblia é contra a divinização de Jesus: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um só que é Deus” (são Marcos 10: 18). “Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (Efésios 4: 5 e 6). “Porquanto, há um só Deus verdadeiro, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Timóteo 2: 5). E “O Pai é maior do que eu” (João 14: 28).

Jesus é Deus, mas relativo, como todos nós o somos também (João 10: 34 e 35; e Salmo 82: 6), porém, Deus absoluto, incriado, é só o Pai. Aqueles que acham que Jesus é outro Deus, igual ao Deus Pai, se baseiam na afirmação de que Ele e o Pai são um. Mas Deus e Jesus são um em sintonia. E Jesus até nos convida para sermos também um com Ele e o Pai (são João 17: 21).

Muitos católicos, protestantes e evangélicos, em silêncio, não aceitam que Jesus é outro Deus e, portanto, não aceitam também o dogma do Filioque.
E uma prova de que a divinização de Jesus é mesmo polêmica é que, oficialmente, a respeitada Igreja Ortodoxa Oriental (com cerca de 300 milhões de adeptos), o espiritismo e as demais religiões não aceitam que Jesus é outro Deus, a não ser relativo, e, consequentemente, não aceitam também o dogma do Filioque!

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