Despedida

'Permaneçam atentos a sinais de pressão sobre democracia', diz Raquel Dodge

Procuradora-geral da República até o dia 17 faz discurso emocionado sobre o papel do Ministério Público nos últimos 30 anos

Qui, 12/09/19 - 17h31
Raquel Dodge está há dois anos no cargo de procuradora-geral da República. Ela será substituída por Augusto Aras no próximo dia 17

Em sua despedida como procuradora-geral da República, na sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), Raquel Dodge fez um alerta nesta quinta-feira (12), a todos os ministros da Corte para que "permaneçam atentos a todos os sinais de pressão sobre a democracia liberal".

"No Brasil e no mundo surgem vozes contrárias ao regime de leis, ao respeito aos direitos fundamentais e ao meio ambiente sadio também para as futuras gerações", disse a procuradora, em sua derradeira atuação como chefe do Ministério Público na Corte máxima.

"Neste cenário é grave a responsabilidade do Ministério Público, mas é singularmente importante a responsabilidade do Supremo Tribunal Federal do Brasil", declarou. "Do Ministério Público para acionar o sistema de freios e contrapesos para manter leis válidas perante a Constituição, para proteger o direito e segurança para todos, para defender minorias, trazendo os casos à esta Corte. Como acaba de assinalar o seu ministro-presidente, Dias Toffoli, o Supremo precisa ser acionado para que possa decidir."

Raquel Dodge destacou o papel que o Ministério Público tem desempenhado nos últimos 30 anos e emendou, dramaticamente, dirigindo-se aos ministros.

"Quero lhes fazer um pedido muito especial, que também dirijo à sociedade civil e a todas as instituições da República: protejam a democracia brasileira tão arduamente erguida em caminhos de avanços e retrocessos, mas sempre sob o norte de que a democracia é o melhor modelo para construir uma sociedade de mais elevado desenvolvimento humano."

Raquel deixa o cargo no próximo dia 17. Ela deverá ser substituída pelo procurador Augusto Aras, escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro. Ela ficou dois anos no mandato.

"Há dois anos, ao iniciar o mandato constitucional de procuradora-geral, o Brasil padecia de males muito complexos que ainda não foram superados. Tínhamos, como temos, um País sob a nódoa de profunda desigualdade social, de escandalosa corrupção de verbas públicas, de políticas públicas deficientes, do meio ambiente marcado pela destruição de florestas, poluição de seus melhores rios, pelo rompimento de barragens minerárias e mais de 65 mil vítimas de homicídios."

Segundo Raquel, "o setor privado, temeroso, desistiu de novos investimentos, serviços públicos paralisados, obras públicas inconclusas, área política fragilizada pelo impeachment (de Dilma Rousseff) recente e a população ávida por respostas das instituições do Estado".

(15) comentários

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Maria Silva 9:02 PM Sep 14, 2019
Enquanto você estava lá ficou bem desatenta. Hipócrita!
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FLAVIO PEREIRA DE SOUZA 12:24 PM Sep 13, 2019
Já vai tarde. Essa é da escola de Geraldo Brindeiro, que a epoca de Fhc, era tido como o "engavetador geral da republica". Raquelo fez vista grossa da atuação dos procuradores de Curitiba, idem no caso Queiroz e do filho de Bolsonaro, e quanto a Bolsonaro quando adirmou que tinha "que matar essa petralhada", disse que não podia fazer nada porque "não foram citados nomes de pessoas". Falar de democracia agora,depois de todo esse tempo esquecendo-se dela, é mujita cara de pau.
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Esteves 8:15 AM Sep 13, 2019
16% de Aumento pro STF e Salario Minimo sem Aumento Real.
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Midiota 7:54 AM Sep 13, 2019
Chocou o ovo da serpente e agora não consegue controlá-la. A preocupação com a democracia não combina com alguém como ela, uma violadora contumaz da Constituição e do Estado de Direito. Sua súbita conversão à democracia só surgiu agora, no momento em que se despede melancolicamente do cargo pelo qual rastejou como um traste sem a mínima moral e sem nenhuma ética. Impressiona o número de gente mau caráter no MP.
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Maria Silva 9:04 PM Sep 14, 2019
Comentário perfeito!
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rodolfo ambrosio siqueira 7:47 AM Sep 13, 2019
Proteger a democracia? Engavetar processos que certamente abririam investigações contra o Bostanaro e sua ninhada, isso é proteger a democracia? FORA, BANDIDA DE TOGA! (mais uma bandida como o bandido Morocutaia).
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Mineiro22 6:22 AM Sep 13, 2019
Kkkk as únicas coisas que o STF protege são o rabo e a conta bancária de seus ministros, com ajuda dessa PGR ridícula, engavetadora geral, que já vai tarde. Protejam nossa lagosta, nossos vinhos penta premiados e passagens de primeira classe, vtnc
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Carlos henrique 9:25 PM Sep 12, 2019
Onde já se viu numa democracia ter uma classe a dos magistrados que se acham semi deuses e intocáveis e estão acima da própria constituição e ninguém podem punir, isso se chama ditadura dos magistrados e está democracia que vivemos e falsa,somente uma revolta civil para mudar.
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joao augusto 8:36 PM Sep 12, 2019
Proteger a democracia que Temer (quem a indicou para o cargo da PGR), o STF e o Congresso fizeram questão de degolar em 2016 com aquele golpe sórdido, me poupe, se poupe, nos poupe
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Esteves 7:37 PM Sep 12, 2019
Nenli e Nenlererei
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Rodrigo silva 7:27 PM Sep 12, 2019
Qual democracia? A dela para nomear pessoas dias antes de sair?
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Walter Oliveira 7:04 PM Sep 12, 2019
Protejam a democracia. Leia-se: Protejam os nossos beneficios; protejam os nossos penduricalhos e as nossos auxilios. E dane-se o teto constitucional. Constituição e a tal democracia representativa falida, são feitas para engrupir os cidadãos comuns...
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Ivanovitch salinov 7:29 PM Sep 12, 2019
Corrigindo..... Eu PEÇO.
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Ivanovitch salinov 7:27 PM Sep 12, 2019
Techau, Raquel. E democraticamente pesso: CPI LAVA TOGA JÁ.
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Paul Henrique 7:20 PM Sep 12, 2019
falou tudo...
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