Após a comissão processante que investiga o vereador Wellington Magalhães (DC) na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) ter aprovado, ontem, parecer pela cassação do mandato do parlamentar por seis infrações ao decoro parlamentar, o foco agora se volta para a votação em plenário, que será realizada na próxima sexta-feira. Ainda ontem, o vereador Mateus Simões (Novo) citou nominalmente possíveis ausências que, na prática, poderiam beneficiar Magalhães.
“Temos pelo menos dois vereadores que, aparentemente, não estarão presentes no dia. Fernando Borja assume (o cargo de deputado federal pelo Avante) em Brasília antes disso. O vereador Álvaro Damião, alguém disse que estaria em viagem no dia, e há também o risco de um problema de saúde do vereador Gilson Reis o impedir de comparecer à votação. Isso me deixa muitíssimo preocupado, porque, efetivamente, nós sabemos que o vereador Wellington Magalhães é forte politicamente e tem condição de pressionar uma série de vereadores. Cada um que não venha é uma chance a mais de que ele se salve, lembrando que nós precisamos de 28 votos para confirmar o relatório que foi aprovado”, comentou Simões.
Em relação a Fernando Borja, que assumiu uma vaga na Câmara Federal como suplente na última semana após Greyce Elias (Avante) ter saído de licença-maternidade, Ricardo da Fármacia, do mesmo partido, já tomou posse na Câmara de BH. A incógnita no Legislativo é se Ricardo, que ficará no cargo por apenas quatro meses, comparecerá à votação.
Ontem, pelas redes sociais, Gilson Reis (PCdoB) postou fotos após ter passado por procedimento cirúrgico no olho esquerdo. “Há cerca de cinco semanas comecei a sentir um incômodo. Ontem (anteontem) saiu o resultado do exame: retina descolada. Neste caso, a cirurgia é urgente, pois o ferimento causado pelo descolamento pode se agravar e causar a perda da visão. Agora, é ficar em repouso absoluto por alguns dias para voltar à luta o mais breve possível, com a disposição de sempre”, publicou.
Questionado pela reportagem se estaria apto para participar da sessão de sexta-feira, Gilson Reis não respondeu.
Já o vereador e jornalista Álvaro Damião (DEM) disse ter ficado “muito chateado” com as conversas de bastidores na Casa que apontavam a ausência dele nas reuniões extraordinárias de sexta-feira. Ele viajou na madrugada de hoje para Lima, capital do Peru, de onde vai transmitir a final da Copa Libertadores, no próximo sábado.
“A minha profissão é essa, estou indo para a minha oitava final de Copa Libertadores. É a primeira vez na história da Conmebol que vamos ter uma final de Copa Libertadores em jogo único. Deu a impressão de que eu estou indo porque estou querendo ir, por causa de votação de Wellington Magalhães. Primeiro que eu votei pela cassação, ele está cansado de saber que eu ia votar pela cassação, mas eu sou profissional do esporte. Não tem como eu abrir mão de um negócio desse nem pedir à rádio (para não viajar). Deu a impressão para alguns aqui, pela forma como estavam falando comigo, que eu estou indo porque eu quero. Pelo amor de Deus, são maldosos demais”, desabafou Damião.
Na sessão de ontem, o presidente da comissão processante, Preto (DEM), se absteve de votar a favor parecer. A postura do parlamentar foi vista com preocupação por Mateus Simões, que a considerou “uma sinalização de que os movimentos são fortes, e as pessoas estão dispostas a esse tipo de desgaste para tentar salvar Magalhães”.