FESTAS JUNINAS

Alegria caipira invade Minas Gerais: confira programação de festas juninas

Tradicionais arraiais no Estado trazem um festival de aromas e sabores, confira a história de cada um

Ter, 11/06/19 - 03h00

Como cumprimento de promessa, em 23 de junho de 1947, João Alves da Fonseca, o Joãozinho, fez a primeira festa em homenagem ao seu padroeiro: são João. Uma fogueira, que não passava de dez metros, foi erguida ao lado da bandeira do santo, e cerca de 600 moradores da comunidade de Ponte dos Machados, na cidade de Bom Jesus do Amparo, compareceram à celebração. Hoje, a tradição iniciada por Joãozinho continua e atrai milhares de fiéis à localidade todos os anos. 

Festas de são João – como a de Ponte dos Machados – transformam junho no melhor mês do ano, e a gente pode provar. Bandeirinhas coloridas tomam as ruas do Estado, e as festas trazem o aroma e o sabor de uma infinidade de delícias, como canjica, milho cozido, quentão e caldinhos. E mais, a festa desperta a união da vizinhança. Seja pela fé nos santos, pela solidariedade das barraquinhas beneficentes ou para espalhar boa energia, os arraiais mostram o poder de organização de uma comunidade.

70 anos de festa. A fogueira de Joãozinho cresceu e já atinge cerca de 24 m, assim como público: agora formado por cerca de 5.000 pessoas. “No dia 23 vai todo mundo pra lá e fica cozinhando canjica desde manhãzinha. Ficam umas 150 pessoas trabalhando para a festa sair de noite”, conta Isaura Marilene Fonseca, 48, uma das seis festeiras do evento e sobrinha-neta de Joãozinho e Dina, os realizadores da primeira celebração nos anos 40. 

Ela conta que a festa junina de Ponte dos Machados acabou mudando-se do curral do seu Joãozinho para o atual campo há mais de 40 anos. No espaço, doado pela família da matriarca, também foi construída uma igreja em homenagem ao santo. A escolha do padroeiro, porém, não foi óbvia. Teve que haver um sorteio, e são João acabou saindo vencedor. 

A festa é sempre realizada no dia 23 de junho. É celebrada uma missa, e, depois do levantamento da bandeira, começam os shows. A fogueira é acesa às 21h. “E à meia-noite o pessoal passa descalço na brasa. É uma forma de fé. Eu nunca tive coragem”, confidencia Isaura. 

Neste ano, a festa, infelizmente, não vai ter apresentação de quadrilha por restrição de gastos. “É crise pra todo lado”, justifica a festeira. “Mas, enquanto tiver gente com vontade de trabalhar, vamos continuar”, garante Isaura. 

Zona da Mata. Na cidade de Paula Cândido, na Zona da Mata, a fogueira é também a principal referência da celebração de são João – à meia-noite ela é desfeita e desafia a fé dos presentes. Desde 2013, a cidade vem resgatando a tradição do seu arraial – que havia se perdido nas duas últimas décadas. O município, com apenas 9.271 habitantes, sempre realiza sua festa no dia 23 de junho. As barracas de comida típica e brincadeiras, como pescaria e correio elegante, são beneficentes e ficam por conta de associações e da terceira série do ensino médio da escola local. 

Neste ano, a quadrilha ficou a cargo da Associação de Capoeira Luta Camará, que promete inovar: será uma quadrilha com carimbó. Violas caipiras e forró também animarão a noite. “Todo mundo ajuda a enfeitar as barracas e fazer a festa. Fica bem bacana. Bem coletivo”, explica Thaynã Paes, secretário de Cultura e Turismo do município.

Comunitária. Se, nas comunidades de Ponte dos Machados e Paula Cândido, são João é o santo das homenagens, Carlos Felipe Horta, folclorista e estudioso da tradição, conta que no Estado santo Antônio é o mais festejado. “Temos uma devoção maior porque aqui tivemos influência franciscana. Minas foi a mais portuguesa de todas as colônias”, explica o folclorista. O santo, como lembra Carlos Felipe, nasceu em Lisboa e era franciscano. 

Ele estima que devem existir mais de 200 festas dedicadas ao santo. “Ele é popular porque tem fama de milagreiro”, conta, esclarecendo que os dotes de santo Antônio vão além dos casamentos. As festas juninas, segundo o especialista, são uma tradição que os portugueses trouxeram ao Brasil para celebrar a colheita e os santos Antônio, Pedro e João. “Mas a coisa mais importante da festa junina é que ela é de essência comunitária”, finaliza. 
 

Trinta e nove anos do Forró de Curvelo 

De três dias de uma festa pequena na praça Benedito Valadares, em 1981, o Forró de Curvelo se transformou numa megaprodução, com expectativa de atrair 180 mil pessoas em sua 39ª edição. A festa, agora na praça Central do Brasil, será realizada de 4 a 7 de julho neste ano e contará com programação com nomes famosos, como Rionegro e Solimões, Rick e Renner, Matheus e Kauan, além de artistas da terra. O evento é realizado em praça pública e é totalmente gratuito. 

Já Itapeva, no Sul de Minas, se prepara para sua 16ª Junifest, de 14 a 16 de junho. A festa contará com shows da Orquestra Extremamente Caipira e Eduardo Mendes e Banda, além de talentos locais. A quadrilha ficará por conta dos estudantes do município. A entrada é gratuita. O evento será realizado na rua Juvenal Machado de Lima (nos entornos do campo de futebol).
 

O Forró do Regaço no calçadão da cidade de Pavão

Há 26 anos, Gilsandra Nascimento, hoje com 39, se multiplicava em quatro para dar conta de dançar quadrilha em todos os grupos de Pavão, cidade no Vale do Mucuri, a 552 km de Belo Horizonte. “A gente montava bandeirola e pintava o meio-fio. Naquela época a comunidade participava muito mais. Com a mudança dos tempos, não se tem jovem como antigamente”, lamenta Gilsandra, que hoje é uma das organizadoras da festa. 

Com apenas cerca de 9.300 habitantes, a cidade fez do Forró do Regaço uma tradição que atrai um público de cerca de 7.000 pessoas nos três dias de festa. Neste ano, o evento será realizado de 14 a 16 de junho e contará com show de Gabriel Valente, além de artistas da terra.

Um casal de bonecos caipiras de quatro metros será a grande novidade na apresentação das quadrilhas, que, no ano que vem, deve ser realizada em forma de disputa entre os grupos. “Estou com receio de que a festa se torne apenas apresentações artísticas de cantores”, argumenta a organizadora. 

Hoje, Pavão conta com dois grupos: Cidade Alta e Quadrilha do BO (Bairro Oeste). As que fizeram história na pequena cidade são os arraiais do Biscoito Grosso e do Buraco Fundo. “Antigamente você montava o arraial com tudo da época da festa junina, e os jurados iam visitando. Depois cada setor apresentava a quadrilha no calçadão de eventos, no centro da cidade”, relembra Gilsandra.

Mas se a comunidade acabou se afastando da organização porque o evento cresceu, Gilsandra se considera grata por ainda poder promover uma festa cultural gratuita na cidade – que carece desse acesso. “Quando a festa nasceu, eu era parte do grupo que idealizou. Hoje, participo da gestão que faz tudo acontecer. Vejo que posso contribuir de alguma forma para um final de semana de alegria e diversão”, finaliza Gilsandra. 


Mais de 20 anos de competição caipira

Se em Pavão, o desejo é retomar a competição de quadrilhas, em Teófilo Otoni essa tradição já dura 20 anos. Em 2019, a festa vai ser realizada nos dias 28, 29 e 30 de junho. O concurso premia 1° (R$ 1.500), 2° (R$ 1.000) e 3° (R$ 800) lugares de “a melhor quadrilha”, “o melhor marcador” e o “melhor casamento” nas categorias adulto e infantil. 

“Existem quadrilhas com mais de 20 anos por aqui. A Arrastapé é uma das mais antigas. E tem a Pé Quente e a Vai Vai”, conta Emerson Vouguel, diretor de promoção de eventos da Secretaria de Cultura do município.

As inscrições para o concurso estão abertas até o dia 20. A festa é realizada na praça Tiradentes, no centro da cidade. Além da quadrilha, estão programados os shows do Trio Forrozão, Rasta Chinela e da dupla Erick e Elias, além de artistas locais. O evento é totalmente gratuito. 

 

Programe-se

Arraiais:

Itapeva. De 14 a 16/6
itapeva.mg.gov.br.

Pavão. De 14 a 16/6
pavao.mg.gov.br. 

Paula Cândido. 23/6
paulacandido.mg.gov.br.

Ponte dos Machados. 23/6
bomjesusdoamparo.mg.gov.br.

Teófilo Otoni. De 28 a 30/6
teofilootoni.mg.gov.br.

Curvelo. De 4 a 7/7
curvelo.mg.gov.br.

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