Com o lema "Quando o mundo fica em silêncio, nós zarpamos", uma flotilha com ajuda humanitária e ativistas como Greta Thunberg partiu neste domingo (31/08) de Barcelona para tentar "romper o cerco ilegal a Gaza", segundo os organizadores.
Com bandeiras palestinas, quase 20 embarcações com centenas de pessoas a bordo deixaram o porto pouco depois das 15h30 locais (10h30 de Brasília).
As embarcações pretendem "chegar a Gaza, entregar a ajuda humanitária, anunciar a abertura de um corredor humanitário e depois levar mais ajuda, e assim também terminar de romper o bloqueio ilegal e desumano de Israel", afirmou Greta Thunberg afirmou em entrevista à AFPTV no sábado (30/08)
A missão, denominada "Global Sumud Flotilla" (que significa resiliência em árabe), é uma organização independente, sem ligação a governos ou partidos políticos.
A Global Sumud Flotilla ("sumud" significa resiliência em árabe) é definida em seu site como uma organização "independente" e "não afiliada a nenhum governo, nem partido político".
Em 4 de setembro, outras embarcações da Tunísia e de outros portos mediterrâneos se juntarão à flotilha. A organização prevê manifestações e "ações simultâneas" em 44 países, segundo Thunberg.
"Esta história não tem nada a ver com a missão que estamos prestes a embarcar. A história aqui é sobre a Palestina. A história aqui é como as pessoas estão sendo deliberadamente privadas dos meios mais básicos para sobreviver. A história aqui é como o mundo consegue ficar em silêncio", insistiu a sueca neste domingo em uma entrevista coletiva no porto de Barcelona.
A missão também tem a participação de ativistas de dezenas de países, artistas como o ator irlandês Liam Cunningham e políticos, incluindo a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau.
"O fato de a flotilha estar acontecendo é uma demonstração do fracasso do mundo em defender o direito internacional e o direito humanitário. É um período vergonhoso, vergonhoso na história do nosso mundo e deveríamos estar coletivamente envergonhados", disse Liam Cunningham.
"Entendemos que esta é uma missão legal sob o direito internacional", declarou a deputada portuguesa de extrema esquerda Mariana Mortágua, que acompanha a iniciativa.
Estado de fome
O governo da Espanha anunciou que mobilizará proteção diplomática para seus cidadãos na flotilha, afirmou no sábado (30/08) o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares.
A nova iniciativa acontece após uma recente tentativa fracassada de levar ajuda a Gaza, que teve a participação de Thunberg. O veleiro "Madleen", com 12 ativistas franceses, alemães, brasileiros, turcos, suecos, espanhóis e neerlandeses a bordo, foi interceptado em 9 de junho pelas forças israelenses 185 quilômetros ao oeste da costa de Gaza. Posteriormente, os ativistas foram expulsos.
A Organização para a Segurança Alimentar declarou na semana passada um estado de fome na Faixa de Gaza, onde 500 mil pessoas enfrentam condições "catastróficas".
O ataque do grupo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra, matou 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo balanço oficial da AFP.
Em Gaza, a ofensiva israelense matou mais de 63,4 mil pessoas, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do território palestino, governado pelo Hamas, considerados confiáveis pela ONU.