Vida marinha

Aquário gigante de Berlim: ativistas fazem vigília por quase 1.500 peixes mortos

Militantes das causas animais condenam espaço: Peixes são amigos, não são decoração

Por Agências
Publicado em 17 de dezembro de 2022 | 18:38
 
 
 
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Ativistas em defesa dos direitos dos animais fizeram, neste sábado (17), uma vigília em frente ao hotel onde explodiu um aquário gigante em Berlim e quase 1.500 peixes morreram. Cerca de dez manifestantes se posicionaram em frente ao Radisson Blu, no centro da capital alemã, no início da tarde, com cartazes que diziam: "Peixes são amigos, não são decoração" e "Descanse em paz, família de peixes-borboleta". Os manifestantes puseram velas acesas na calçada.

Segundo relato da DPA (Agência Alemã de Imprensa, na sigla original), uma mulher que estava conversando com os ativistas começou a chorar. "Precisamos repensar completamente a concessão de licenças que autorizam projetos como esses", disse uma porta-voz do Partido da Defesa dos Animais, que organizou a vigília. "Inúmeros animais já morrem só ao serem transportados. É necessário ter um recife de coral artificial no meio de Berlim?", questionou.

Na sexta-feira (16), data em que ocorreu a explosão, a entidade de defesa de animais Peta afirmou que planejava entrar com uma ação judicial contra o hotel que abrigava o aquário e reivindicou que o local construa um memorial em homenagem aos 1.500 animais marinhos mortos. "Animais não existem para serem explorados como ambientação", disse a organização em comunicado. "[Esse acidente] deveria ser um alerta para as pessoas impedirem que animais sejam exibidos como se fossem simplesmente decoração de parede de hotel".

A reação foi semelhante a de vários outros ativistas pelo globo. Secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard afirmou que o episódio era uma "metáfora para a arrogância humana, o consumismo infinito e a sede por emoções fortes, sede de emoção, com conseqüências devastadoras para outras espécies" em uma postagem no Twitter.

A Reynolds Polymer Technology, empresa americana que participou da construção do aquário, enviou uma equipe de especialistas à Alemanha para investigar as causas do incidente. "Ainda é cedo para determinar o fator ou os fatores que levaram a uma rachadura como essa", afirmou a empresa em comunicado, de acordo com relatos dos jornais alemães Die Welt e Frankfurter Allgemeine Zeitung.

A causa da explosão ainda é desconhecida, mas uma das suspeitas das autoridades é de que as baixas temperaturas tenham provocado rachaduras na estrutura, que acabou cedendo à pressão das mil toneladas de água. Há suspeitas ainda de que tenha havido fadiga de material.

Duas pessoas foram feridas por estilhaços após o incidente, incluindo um funcionário do Radisson. Cerca de 350 hóspedes do hotel deixaram o local a pedido das equipes de emergência, que temem danos estruturais. Segundo socorristas, na tarde do sábado ainda havia cinco centímetros de água na garagem subterrânea do hotel. Marielle Tierney, 46, contou à reportagem que achou que uma bomba tivesse caído perto de seu apartamento, vizinho ao hotel, no momento da ruptura. A americana comparou os danos do incidente a de um tsunami, e afirmou que também garagem de seu prédio foi alagada, assim como as unidades de armazenamento localizadas no subsolo. "Tentei salvar alguns dos meus pertences, mas vamos ver", disse.

O AquaDom foi fechado para reformas em outubro de 2019. Devido à pandemia de Covid-19, seguiu fechado por quase três anos, até junho deste ano. Segundo a empresa que o administra, o aquário abrigava espécies que vão de peixes-palhaços, como o do filme "Procurando Nemo", a cavalos-marinhos, águas-vivas e arraias.

(Folhapress)

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