política monetária

Fed eleva taxa de juros nos EUA para faixa entre 4,50% e 4,75% ao ano

A decisão foi unânime e está em linha com as expectativas do mercado financeiro

Por Agências
Publicado em 01 de fevereiro de 2023 | 16:53
 
 
 

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) elevou a taxa dos Fed Funds em 25 pontos-base (pb), para a faixa entre 4,50% e 4,75% ao ano, em comunicado pós reunião de política monetária divulgado nesta quarta-feira, 1º de fevereiro A decisão foi unânime e está em linha com as expectativas do mercado financeiro.

O Fed ainda elevou a taxa de juros paga sobre saldo de reserva de 4,4% para 4,65%, decisão que entra em vigor a partir de amanhã, e a taxa de desconto em 25 pontos-base, para 4,75% ao ano.

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, disse que a tarefa de baixar a elevada inflação nos Estados Unidos ainda não foi concluída. Segundo ele, os EUA ainda convivem com a maior inflação dos últimos anos.

"O trabalho não está totalmente feito", enfatizou Powell, a jornalistas, no período da tarde desta quarta.

Ele afirmou que o Fed tem instrumentos disponíveis para o caso de haver aperto excessivo nos EUA. Na sua visão, seria prematuro declarar vitória contra a inflação e que ainda há muito trabalho pela frente. "Eu acho que vai ser prematuro vai ser muito prematuro declarar vitória, ou pensar que realmente conseguimos isso, precisamos ver nossas forças de meta para derrubar a inflação. E como fazemos isso? Havia muitos, muitos fatores impulsionando a inflação nesse setor."

Powell disse que, pela primeira vez, é possível afirmar que o processo desinflacionário nos EUA começou. No entanto, conforme ele, ainda não há desinflação no setor de serviços, exceto no mercado residencial. "Vemos inflação mais persistente no setor de serviços", reforçou.

O presidente do Federal Reserve afirmou que não tem certeza sobre qual será a taxa de juros terminal nos EUA e que os dados entre agora e março vão balizar a decisão do Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) em sua próxima reunião, que acontece no mês que vem. "Na reunião de março, vamos atualizar essas avaliações. Nós não as atualizamos hoje", disse Powell, a jornalistas, acrescentando que devem ser mais elevadas do que as atuais.

De acordo com ele, o FOMC não tem a intenção ou o desejo de apertar a política monetária excessivamente. Reforçou ainda que aumentos contínuos das taxas serão apropriados para atingir uma postura de política "suficientemente restritiva" para trazer a inflação de volta para 2% ao ano, que é a meta da autoridade no longo prazo. As decisões do Fed continuam dependentes de dados, conforme Powell.

Em decisão unânime, o Fed anunciou nesta quarta elevação de 25 pontos-base como amplamente esperado pelo mercado em um novo abrandamento do processo de aperto monetário nos EUA. Com isso, os juros básicos norte-americanos passam para o intervalo de 4,50% a 4,75% ao ano.

O movimento vem na sequência de uma desaceleração para 50 pontos-base após quatro elevações seguidas de 75 pontos-base, no aperto monetário mais veloz já implementado pelo Fed desde a década de 1980, sob pressão do risco de descontrole do custo de vida no País.

Teto da dívida

O presidente do Federal Reserve afirmou que o Congresso dos Estados Unidos precisa elevar o teto da dívida norte-americana. Na sua visão, a despeito de embates em torno do tema, esse será o resultado final. "Acredito que o Congresso acabará agindo como deve no final para aumentar o teto da dívida", disse ele.

Na sua visão, só há "um caminho a ser seguido" e qualquer alternativa ao aumento do teto da dívida seria "altamente arriscada". Alertou ainda que o Fed não pode "proteger a economia" de consequências caso o Congresso não atue em tempo hábil para aprovar o aumento do teto da dívida do país.

"Isso elevar o teto da dívida é com o Congresso. É preciso aumentar o teto da dívida para que o governo dos Estados Unidos pague todas as suas obrigações. Qualquer desvio desse caminho seria altamente arriscado", alertou Powell.

(Estadão Conteúdo)

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