naufrágio

Migrantes de Cuba desaparecem no mar devido ao furacão Ian, que chega à Flórida

Quatro migrantes que estavam na embarcação conseguiram nadar até terra firme perto da ilha de Key West; 23 estão desaparecidos

Por Agências
Publicado em 28 de setembro de 2022 | 17:36
 
 
 

Os fortes ventos e tempestades trazidos pelo furacão Ian causaram o naufrágio de um barco com dezenas de migrantes cubanos no litoral da Flórida nesta quarta-feira (28), segundo informações da polícia do estado americano. Deste total, 23 estão desaparecidos.

Quatro migrantes que estavam na embarcação conseguiram nadar até terra firme perto de Key West, ilha ao sul da Flórida distante 145 quilômetros de Cuba, informou o chefe da patrulha de Miami, Walter Slosar. Todos foram hospitalizados.

O furacão atingiu a Flórida nesta quarta, depois de passar por Cuba, causando rajadas de vento, ondas e inundações catastróficas, de acordo com boletim do Centro Nacional de Furacões. A intensidade esperada do fenômeno nunca foi vista na região, segundo meteorologistas –o Ian deve atingir a categoria 4, a segunda pior de uma escala que vai até 5, com ventos que podem chegar a 250 quilômetros por hora.

Em Cuba, o furacão colocou a rede elétrica em colapso na terça (27), deixando todo o país sem energia. O sistema elétrico cubano é frágil e obsoleto, em grande parte dependente de usinas da era soviética movidas a petróleo, e já vinha passando por problemas nos últimos meses. Apagões diários de horas de duração se tornaram rotina em grande parte da ilha.

Nesta quarta, a ilha restabeleceu a luz para parte de seus consumidores na maioria das regiões, informou o fornecedor de energia estatal, depois de os apagões terem afetado 11 milhões de pessoas. A capital, Havana, foi atingida pela cauda do furacão quando ele saía de Cuba e entrava no Golfo do México em direção à Flórida –a paisagem nas ruas da cidade era de um emaranhado de árvores caídas, lixo e fiação elétrica e de telefone.

Pelo menos cinco prédios desabaram completamente na cidade, segundo relatórios oficiais, e 68 foram parcialmente destruídos. Mais de 16 mil pessoas foram realocadas para abrigos. As autoridades não deram estimativa de quando a energia seria totalmente restaurada na capital.

A perspectiva de apagões prolongados na cidade abafada –onde os mosquitos são abundantes e as temperaturas, muito altas para dormir à noite– deixou os moradores ansiosos. "Sempre corremos o risco de nossa comida estragar", disse Freddy Aguilera, dono de um pequeno restaurante em Havana que não pode abrir nesta quarta. "Não temos gerador, não temos como conservar nossos produtos."

A escassez de alimentos, combustível e remédios, aguda mesmo antes da tempestade, deixou muitos cubanos se perguntando o que fazer, já que a maioria das lojas permaneceu fechada, reparando os danos e esperando que a luz voltasse. "Olhe para a água da enchente", disse Olga Gomez, que mora perto da orla de Havana, em uma avenida propensa a inundações. "Temos que ver onde podemos encontrar pão, para que nossos meninos tenham algo para comer."

Pelo menos duas pessoas morreram em Cuba com a passagem do furacão, ambas na província de Pinar del Rio. Uma mulher morreu depois que um muro desabou sobre ela e um homem morreu após seu telhado cair sobre ele, de acordo com a mídia estatal.

(Folhapress)

Notícias exclusivas e ilimitadas

O TEMPO reforça o compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade.

Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confiar. Fique bem informado!