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ONU teme propagação de doenças na Líbia após grandes inundações

Água contaminada e falta de higiene são as principais preocupações em país devastado por tempestade

Por Agências
Publicado em 18 de setembro de 2023 | 14:23
 
 
 
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As agências da ONU lutam para prevenir a propagação de doenças na cidade líbia de Derna, devastada pelas inundações da semana passada que deixaram milhares de mortos e desaparecidos.

A Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (Manul) informou em um comunicado que equipes de nove agências da ONU estão na cidade para oferecer ajuda a milhares de pessoas que ficaram desabrigadas com a passagem da tempestade Daniel e as súbitas inundações que atingiram Derna, além de outras localidades do leste do país. 

As autoridades locais, as agências de ajuda e a equipe da Organização Mundial da Saúde (OMS) estão preocupadas "com o risco de propagação de doenças, em particular pela água contaminada e a falta de higiene", afirmou a Manul.

O comunicado acrescenta que a missão da OMS "segue trabalhando para prevenir a propagação de enfermidades e evitar uma segunda crise devastadora na região".  

A tempestade procedente do Mediterrâneo atingiu Derna em 10 de setembro e provocou o rompimento de duas barragens localizadas no leito do rio e que, segundo relatos de moradores, apresentavam rachaduras desde 1998, mas que nunca passaram por reparos.

O volume de água foi comparado por testemunhas a um maremoto e destruiu a cidade de 100.000 habitantes, deixando quase 3.300 mortos, segundo o balanço oficial mais recente, que é provisório.

Organizações humanitárias internacionais e autoridades locais alertaram que o balanço final pode ser muito maior, devido aos milhares de desaparecidos que as equipes de emergência líbias e estrangeiras continuam procurando nesta segunda-feira.

O Crescente Vermelho líbio anunciou que criou uma plataforma para contabilizar os desaparecidos e pediu a ajuda da população para obter informações sobre as pessoas procuradas.

Abdul Wahab al-Masouri lamentou o estado de sua cidade. "Crescemos ali, fomos criados aqui (...), mas passamos a odiar este lugar, no que ele se transformou. Voltou a ser o que era há 1.000 anos. As pessoas moram em cavernas, a cidade parece morta, vazia, sem vida", afirmou o morador de Derna.

Ponte temporária

Hamza al-Jafifi, um soldado de 45 anos, contou à AFP que foram encontrados corpos sem roupa de "idosos, jovens, mulheres, homens e crianças" uma semana depois da catástrofe. Eles haviam ficado presos entre as rochas, explicou.

As tarefas de resgate enfrentam problemas. No domingo, cinco integrantes de uma equipe de emergência da Grécia morreram em um acidente de trânsito pouco depois de sua chegada ao leste da Líbia, anunciaram as autoridades gregas.

O acidente também matou três integrantes de uma família líbia que estavam em outro veículo, informou o governo com sede no leste da Líbia.

As equipes de resgate nacionais foram reforçadas com grupos provenientes da França, Grécia, Irã, Rússia, Arábia Saudita, Tunísia, Turquia e dos Emirados Árabes Unidos.

O Egito, por sua vez, enviou o porta-helicópteros "Gamal Abdel Nasser" à base naval de Tobruk para ser utilizado como hospital de campanha com 100 leitos, informou a mídia egípcia. 

A França também anunciou que montou um hospital de campanha em Derna que começou a funcionar no domingo.

Os moradores desta cidade afirmam que a maioria das vítimas foi sepultada pela lama ou arrastada para o Mediterrâneo.

O governo de Trípoli enviou ajuda e equipes de resgate ao local. Também anunciou o início de obras para a construção de uma "ponte temporária" sobre o leito do rio que atravessa a região.

As duas margens estão sem ligação desde que a força da água derrubou as quatro pontes que conectavam os dois lados.

A água submergiu uma área de 6 km² densamente habitados em Derna, o que danificou 1.500 edifícios. Muitos imóveis, 891, foram "varridos do mapa", segundo as estimativas preliminares do governo de Trípoli baseadas em imagens de satélite. 

(AFP)

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