violência policial

Protesto em Madagascar por sequestro de menino albino deixa 18 mortos

Nos últimos dois anos, houve mais de uma dúzia de sequestros, ataques e assassinatos de pessoas com albinismo, segundo as Nações Unidas

Por Agências
Publicado em 29 de agosto de 2022 | 22:06
 
 
 

Ao menos 18 pessoas morreram nesta segunda-feira (29) em Madagascar quando a polícia abriu fogo contra uma multidão de manifestantes enfurecidos com o suposto sequestro de um menino albino, informou um médico à AFP.

"Por enquanto, 18 pessoas morreram, nove no local e nove no hospital", declarou Tango Oscar Toky, médico principal de um hospital no sudeste de Madagascar. "Dos 34 feridos, nove estão entre a vida e a morte", acrescentou o médico. "Estamos esperando que um helicóptero do governo os evacue para a capital". Gendarmes locais reportaram um balanço de 11 mortos no incidente.

Por volta das 08h GMT (05h de Brasília), foram ouvidos disparos em Ikongo, sudeste, a 350 km da capital. Desde a semana passada, a pequena população está em choque pelo desaparecimento de um menino albino, que as autoridades atribuem a um possível sequestro.

Em Madagascar, as pessoas albinas são frequentemente submetidas à violência. Nos últimos dois anos, houve mais de uma dúzia de sequestros, ataques e assassinatos de pessoas com albinismo, segundo as Nações Unidas.

Os policiais prenderam quatro suspeitos, mas os cidadãos estão determinados a fazer justiça com as próprias mãos. 

De manhã, eles se reuniram do lado de fora do quartel policial e exigiram que os quatro suspeitos fossem entregues a eles, contou à AFP o deputado Jean-Brunelle Razafintsiandraofa, em Ikongo. 

Uma fonte da polícia disse à AFP que pelo menos 500 pessoas se reuniram no local, algumas com "armas brancas" e "facões". 

"Houve negociações, os moradores insistiram", disse a fonte. No final, os policiais decidiram lançar granadas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão e realizaram alguns disparos.

Mas os habitantes tentaram forçar a entrada no quartel e os policiais "não tiveram escolha a não ser se defender", disse a fonte. Madagascar, uma grande ilha no Oceano Índico, é um dos países mais pobres do mundo.

(AFP)
 

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