MANIFESTAÇÕES

Protestos arrefecem no Peru pedindo libertação de Pedro Castillo

Primeiro-ministro peruano afirmou que movimentações estão diminuindo em meio ao avanço do trabalho das forças de segurança

Por Agência
Publicado em 18 de dezembro de 2022 | 20:16
 
 
 
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As autoridades peruanas esperavam neste domingo (18) que os violentos protestos após a destituição do presidente Pedro Castillo começassem a diminuir, enquanto o papa Francisco pedia diálogo e os Estados Unidos reformas para proteger a democracia.

"A informação que temos é que as medidas que tomamos estão funcionando, ou seja, as estradas estão sendo recuperadas, os aeroportos estão sendo habilitados e a violência dos manifestantes nas ruas também está reduzindo", disse o primeiro-ministro, Pedro Angulo, ao canal estatal TV Peru.

Os protestos - mais intensos no sul andino, região atingida pela pobreza, desigualdade e com reivindicações sociais adiadas - exigem a libertação de Castillo, preso e investigado por rebelião, após sua fracassada tentativa de autogolpe.

Também reivindicam a renúncia de sua sucessora, Dina Boluarte, o fechamento do Parlamento e eleições gerais imediatas. Boluarte já anunciou que seguirá "firme" no cargo e exigiu que o Congresso acelere a aprovação de uma antecipação das eleições gerais, uma reivindicação de 83% dos cidadãos com a qual a crise poderia ser mitigada.

O Parlamento deve votar novamente nesta terça-feira, 20 de dezembro, o projeto para adiantar as eleições de 2026 para 2023, que na semana passada não conseguiu os votos necessários.

O conflito surge porque um setor do Congresso, sobretudo o que apoia Castillo, quer incluir a convocação de uma Assembleia Constituinte para redigir uma nova Carta Magna que substitua a de 1993, uma possibilidade que conseguiu consenso.

Segundo a Defensoria do Povo, os protestos deixam ao menos 19 mortos e 569 feridos em confrontos com as forças de segurança. Neste domingo, ainda foram registrados alguns conflitos entre manifestantes e policiais no noroeste do país.

"Instamos às instituições democráticas do Peru que realizem as reformas necessárias durante este período difícil", disse o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, no Twitter neste domingo, sobre uma conversa que teve com Boluarte na sexta-feira.

Blinken afirmou que Washington continuará apoiando a Presidência peruana e o país. Enquanto isso, em seu Angelus deste domingo, o papa Francisco rezou pelo Peru para que "a violência cesse" e "se percorra o caminho do diálogo para superar a crise política e social".

Corredores humanitários 

Neste domingo, representantes da Defensoria peruana se coordenaram em Aguaytia, Ucayali (noroeste, selva peruana), com autoridades para promover o diálogo com os manifestantes, onde confrontos deixaram 5 civis e 6 policiais feridos.

Em alguns casos, como em Ayacucho (sul), as mortes da última sexta-feira foram resultado de confrontos com militares, autorizados a controlar a segurança interna no âmbito do estado de emergência.

Na ocasião, a Defensoria solicitou investigação criminal, devido a denúncias de disparos diretos contra o corpo por militares. Entre as vítimas, havia menores.

Familiares de alguns dos que morreram em Ayacucho carregaram no sábado seus caixões em uma praça de Huamanga, a capital, pedindo punição aos responsáveis.

Neste domingo, a Defensoria pediu ao governo a implementação de corredores humanitários para o transporte de pessoas retidas ou isoladas devido ao fechamento de estradas durante os protestos, muitos deles precisando de cuidados médicos.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos disse neste domingo que "reconhece a abertura para a construção de canais de diálogo como forma de abordar o conflito social" e anunciou uma visita ao Peru na terça e quarta-feira.

"Bom caminho"

As manifestações produziram no início da semana passada o bloqueio de uma centena de vias e vários aeroportos, em alguns casos com danos por vandalismo.

No entanto, desde sexta-feira, estes locais foram desbloqueados após a intervenção de policiais e militares. "Acho que estamos em um bom caminho, como já apontou a presidente, as medidas que foram tomadas estão ajudando a diminuir o conflito", observou o primeiro-ministro, entrevistado pela Radio RPP.

Ele explicou que vários ministros viajaram para as zonas de conflito "para promover o diálogo e chegar a consensos". Neste domingo, a ministra dos Transportes, Paola Lazarte, disse que as operações aeroportuárias seriam retomadas na segunda-feira em Juliaca (sudeste) e na terça-feira em Ayacucho. Na sexta-feira, o aeroporto de Cusco reabriu.

"No caso de Arequipa (sul), o aeroporto ainda está fechado. No entanto, realizamos trabalhos de restauração e reparo na cerca perimetral, que terminaremos amanhã (segunda-feira)", disse à rádio.

A cidadela inca de Machu Picchu, em Cusco, de onde foram retirados no sábado 200 turistas presos devido ao fechamento de estradas, permanecia fechada desde a semana passada "até segunda ordem", informou o Ministério da Cultura.

(AFP)

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