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Universidade federal mais inclusiva

Triplica o número de estudantes pretos e pardos nas universidades federais brasileiras

Por Editorial O TEMPO
Publicado em 20 de maio de 2024 | 09:47
 
 
 

O número de universitários pretos e pardos nas instituições federais triplicou em 13 anos, um fato que deve ser comemorado nos esforços inclusivos, mas que demanda ainda mais esforços para que se chegue a uma sociedade com verdadeira equidade. 

O levantamento do Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência, da Unifesp, mostrou que o número de estudantes pretos e pardos nas universidades federais brasileiras passou de 135,1 ml em 2009 para 515,7 mil em 2022. Em termos percentuais, a variação foi de 17% da comunidade acadêmica para 49%. 

Um dos principais fatores para a transformação do perfil do universitário foi a introdução da lei de cotas, em 2012. Instrumento ainda questionado em função do critério autodeclaratório de etnia, ele possibilitou a inserção de um grupo que vivia à margem do ensino superior e das oportunidades possibilitadas por ele. 

Mas não só, pois a abertura de espaços mais inclusivos nas universidades públicas serviu de incentivo inclusive para a livre concorrência, uma vez que os cotistas representam menos da metade (46,8%) dos pretos e pardos nas federais brasileiras. 

Chegar à universidade demanda um esforço colossal de todo estudante, mas não se pode negar que há barreiras étnicas nessa trilha. As pressões econômicas e sociais fazem com que alunos pretos representem sete em cada dez estudantes que abandonam a educação básica. Em média, permanecem na escola dois anos a menos que os estudantes brancos. 

Essa diferença traz repercussões futuras, limitando o rendimento e as chances de crescimento. De acordo com o relatório Nacional de Transparência Salarial do Ministério do Trabalho, um homem preto recebe 85% do rendimento médio de um assalariado no Brasil – e, se for mulher preta, esse percentual cai para 68% da média. 

Ter mais diversidade nas universidades brasileiras significa uma redução desse fosso de falta de oportunidades. É preciso incentivar esse movimento e ampliá-lo até que todos, independentemente de cor ou gênero, possam ter educação de qualidade em todos os níveis. 

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