Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos Estados Unidos, Donald Trump, dominaram a sessão desta terça-feira (4 de fevereiro) da Câmara Municipal de Belo Horizonte. Petistas, pelo lado de Lula, e correligionários do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pelo lado de Trump, dividiram o microfone para falar sobre brasileiros deportados, preço de alimentos, reeditando, inclusive, a "briga de bonés" que tomou conta da Câmara Federal esta semana.
A sessão foi a primeira da legislatura 2025/2028 em que houve votação. A reunião começou às 15h e terminou às 16h15. Estavam na pauta um veto do prefeito, hoje afastado, Fuad Noman (PSD), e três requerimentos, todos apreciados em aproximadamente 20 minutos. A maior parte do tempo restante foi usada pelos vereadores no embate citando os presidentes. Apenas por um breve momento um parlamentar, Helton Júnior (PSD), pediu a palavra e solicitou aos dois lados que avaliassem se a discussão cabia na Câmara.
Um dos vereadores a falar pelo lado dos bolsonaristas foi Vile (PL), que defendeu o uso de algemas em voos de brasileiros deportados pelo governo Trump. Na visão do parlamentar, os aviões partem dos Estados Unidos com muitos brasileiros mandados de volta, e que o número de agentes de segurança que os acompanham é menor.
O vereador Bruno Pedralva (PT), por sua vez, criticou a atuação do governo Trump e disse que os Estados Unidos prejudicam as pesquisas médicas no mundo ao abandonarem a Organização Mundial de Saúde (OMS), como anunciou Trump nos primeiros dias de governo. Com a retirada dos Estados Unidos da entidade, o país deixa de contribuir financeiramente com pesquisas feitas pela organização.
Durante os dois discursos, petistas e trumpistas já estavam com seus bonés. O dos petistas dizia "O Brasil é dos Brasileiros", que é um contraponto ao slogan de Trump, usado por bolsonaristas, que diz "Make America Great Again" (Fazer a América grandiosa novamente"). Como virou uma guerra, porém, um outro boné foi criado e usado pelos vereadores bolsonaristas de Belo Horizonte, com a frase "Sem café, picanha e cervejinha", que se remete aos preços dos produtos e falas de Lula sobre a população ter mais acesso aos produtos.
Em meio a um e outro vereador trocando farpas por seus preferidos, também usaram o microfone, por exemplo, os parlamentares Pablo Almeida (PL) e Bruno Rousseff (PT), Helton Júnior foi ao microfone e questionou o comportamento dos colegas. "A população pouco se importa com o que está escrito nestes bonés. Peço aos senhores que façam uma avaliação se compensa trazer essa discussão para cá", declarou. Após alguns outros discursos, a sessão foi encerrada.
Veto de Fuad
A votação do veto do prefeito afastado Fuad Noman que entrou na pauta desta terça-feira da Câmara poderia ser o primeiro teste do relacionamento entre o Executivo e os vereadores na legislatura 2025/2028. Isso, porém, acabou não ocorrendo. O veto, dado por Fuad no ano passado, portanto, antes da internação hospitalar na qual se encontra desde 3 de janeiro, era a um projeto de lei da vereadora Loíde Gonçalves (MDB).
O texto previa a alienação de área da prefeitura no bairro Tupi, na Regional Norte. O prefeito vetou. A autora do projeto, no entanto, disse ter ido à prefeitura e ficou acertado que a área poderia, sim, ser alienada. No local já há moradias há mais de 40 anos. Na mesma linha, o líder do governo, Bruno Miranda (PDT), encaminhou o voto da base pela derrubada do veto, adiando a medição da temperatura entre o prefeito em exercício, Álvaro Damião (União) e o Poder Legislativo.
A relação entre prefeitura e Câmara vinha sem percalços desde o fim do ano passado, mas o cenário mudou a partir da eleição do novo presidente da Casa, Juliano Lopes (Podemos), que disputou o posto com Mirada, apoiado por Damião, então vice-prefeito. Nesta segunda-feira (3 de fevereiro), os dois falaram por telefone, no primeiro dia da legislatura 2025/2028, mas a relação que se estabelecerá entre ambos ainda é uma incógnita.