O presidente Lula (PT) foi a Montes Claros, no Norte de Minas, para inaugurar o Centro de Tecnologia e Inovação Agroindustrial da Acelen Renováveis, o Acelen Agripark. A empresa irá produzir combustível de aviação (SAF) a partir do óleo de macaúba, uma planta comum na região.
Foram R$ 314 milhões investidos, sendo R$ 258 milhões financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O complexo integra o projeto de biocombustíveis da empresa e prevê investimentos iniciais de 3 bilhões de dólares para produção de até 1 bilhão de litros de SAF por ano, a partir de 2028.
Lula lembrou das resistências que o biocombustível enfrentou, inclusive dentro do PT, com a acusação de que iriam substituir a produção de alimentos para destinar as terras à produção de combustível.
“Aquela ideia da Dilma (Rousseff, ex-presidente e ex-ministra de Minas e Energia) e do Roberto Rodrigues (ex-ministro da Agricultura), de criar o biodiesel, permite que a gente esteja inaugurando hoje uma indústria que vai receber, em dez anos, quase R$ 16 bilhões. A gente está mostrando para o mundo que não tem mais volta. O Brasil será campeão mundial em transição energética e combustível renovável. E não se preocupe nenhum ambientalista que nós não vamos derrubar florestas para plantar macaúba. Nós temos mais de 40 milhões de hectares de terras degradadas que nós podemos utilizar para isso”, disse.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, um dos presentes na cerimônia, destacou a importância da inauguração do Centro, que será fundamental para a expansão da capacidade de produção dos biocombustíveis no Brasil e impulsionar a descarbonização dos setores aéreo e de transportes. Esses, segundo ele, são alguns dos principais objetivos da Lei do Combustível do Futuro, desenvolvida pelo governo e sancionada pelo presidente Lula em 2024.
"Aqui está brotando o combustível do futuro. O óleo de macaúba vira o SAF, que substitui o querosene nos aviões e reduz muito a poluição do meio ambiente. Isso simboliza a união entre a tradição do cultivo de macaúba e o que há de mais avançado na tecnologia mundial em biocombustíveis. Além disso, é criação de oportunidades econômicas e sociais desde a semente até o produto final. E aqui, neste projeto, cerca de 20% das plantações de macaúba estão sendo destinadas para a agricultura familiar. Isso é prova de que o biocombustível não concorre com a plantação de alimentos. Pelo contrário!", afirmou Silveira.
Segundo o governo federal, a Lei do Combustível do Futuro (14.993/24) foi uma mudança decisiva para estruturar o mercado de Combustível Sustentável de Aviação (SAF, na sigla em inglês) no Brasil, ao estabelecer metas obrigatórias de redução das emissões do setor aéreo a partir de 2027 e criar previsibilidade para novos investimentos. Os biocombustíveis, como o SAF, tem potencial de redução de até 80% das emissões de CO2.