O deputado estadual Arlen Santiago (PL) descreveu como uma "conversa de surdo, cego e mudo" as negociações entre o governo de Minas Gerais e a União para a solução da dívida do Estado por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Segundo o parlamentar, Minas precisa oferecer imóveis ao governo federal para abater a dívida, mas a União “não fala se vai aceitar e qual valor” além de "não falar quais são os imóveis que ela quer”.
O deputado defendeu que a aceitação dos imóveis pelo governo federal permitiria que a dívida de Minas Gerais se tornasse "pagável", diferentemente do "muito duro" Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Santiago informou que há um esforço para que os deputados federais e senadores derrubem os vetos do presidente a alguns itens do programa. Se os vetos forem derrubados e o Propag for aprovado, segundo Santiago, o vice-governador Mateus Simões anunciou que "R$ 1 bilhão vai ser destinado para recomposição salarial das forças de segurança da Emater e de outras que precisam talvez até da própria Fhemig", e "R$ 700 milhões vão continuar fazendo as obras que estão sendo feitas pelo governo Zema".
O deputado criticou ainda a postura do governo federal, acusando-o de "retaliação" contra o governador Zema, que acaba prejudicando os mineiros, já que o enfrentamento político "volta para poder bater a cabeça do coitado do mineiro".
Deputado descarta CPI da Fhemig e fala em ‘politização da saúde’: 'oposição só quer obstruir e criar narrativa'
Com relação à proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Rede Fhemig, articulada pelo deputado Lucas Lasmar (Rede), Santiago afirmou que o proponente tem "órgãos próprios para poder fazer essas apurações que ele fala", como o Ministério Público, e que uma CPI não é necessária "no momento". Para o deputado, o que se precisa é diminuir a "guerra de narrativa federal".
Ele argumentou que a oposição está "bem alimentada pelo governo federal, bem apoiada" e que sua intenção é apenas "fazer obstrução, obstrução para nada, porque tem que fazer a narrativa". Santiago questionou a eficácia do modelo proposto por Lasmar, citando o exemplo de Oliveira, onde o grupo político da mãe de Lasmar perdeu a eleição após implantar o modelo que ele defende. Ele sugeriu que a questão de Lasmar é pessoal, afirmando: "eu estou com raiva do secretário de Saúde de Minas Gerais, o Fábio. Eu não gosto dele, então eu quero que mude isso aqui".
Santiago defendeu modelos de gestão como os já implantados em hospitais de Contagem, no Hospital do Barreiro e no Hospital Risoleta Neves, este último gerido pela Fundap/UFMG, destacando que "o modelo já foi colocado por eles" (a oposição), assim como a privatização de estradas. O deputado também criticou o governo federal por não cumprir sua parte no financiamento do SAMU, sobrecarregando o Estado. Ele denunciou irregularidades na gestão do SAMU no Norte de Minas, como a falta de transparência, a enfermeira-chefe possuir um posto de gasolina que fornece combustível para o SAMU e um deputado federal do PT, que tem "hegemonia total lá", ter sido condenado por improbidade administrativa por usar bem público para pagar conta pessoal.
Deputado confirma candidatura da filha para o mesmo cargo e diz que não há risco de dividir votos
O deputado confirmou a intenção de lançar a filha, Laís Santiago, como candidata a deputada estadual no próximo ano, para o mesmo cargo que ele deve disputar. Ele ressaltou que não acredita que "deva voltar atrás" nessa decisão.
O parlamentar descreveu Laís como uma "médica radioncologista e pastora evangélica" com um trabalho e pacientes próprios que a "adoram". Santiago explicou sua estratégia para evitar a divisão de votos, afirmando que, sendo um dos mais votados do estado, ele pode "ampliar um pouco a base para que a gente possa separar algumas cidades boas que e que gostam da gente, para que ela faça a campanha dela. Eu faço nas outras".