O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o ministro da Casa Civil Rui Costa e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fizeram duras críticas ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos articulando sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras. Os esforços do deputado ocorrem em meio ao julgamento do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por crimes como tentativa de golpe de Estado. As falas foram ditas em uma cerimônia em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Em discurso, sem citar Eduardo Bolsonaro nominalmente, Pacheco classificou o deputado como “traidor da pátria” e disse que a bandeira do Brasil não serve para enxugar "suor de fascista". “Brasileiro que ousa ir para o exterior para trabalhar contra o país é traidor da pátria”, afirmou, sob aplausos. “Isso precisa ser dito com todas as letras. E esta bandeira do Brasil que está ali, a bandeira do Brasil não é para enxugar suor de fascista. A bandeira do Brasil é um símbolo nacional que pertence a todos nós”, completou, sob gritos de “sem anistia”.

Ele completou: “não é polarização. Quem está do lado de lá é anti-patriota. Quem está do lado de lá precisa ser enfrentado e não deve fazer parte da política, porque a política da divergência ela existe, ela é bem-vinda, mas não se trata de negociar valores que são inegociáveis para o povo brasileiro.”

Após a ida de Eduardo aos EUA, no início do ano, o ex-presidente Donald Trump impôs tarifas na exportação de alguns produtos brasileiros, medida que vai prejudicar empresas nacionais. Autoridades brasileiras também foram sancionadas, como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que teria tido seu visto cancelado, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que sofreu com medidas ainda mais severas, como bloqueio de contas bancárias, de bens e interesses em bens dentro da jurisdição em solo norte-americano

Lula reforçou as críticas e disse que Eduardo Bolsonaro espalha mentiras sobre o Brasil nos EUA. “Nós colocamos o meu ministro (Geraldo) Alckmin, vice-presidente da República, o ministro (da Fazenda) Fernando Haddad e o ministro (de Relações Exteriores) Mauro Vieira para negociar. Acontece, é importante os empresários saberem disso, não tem ninguém querendo negociar do lado americano. Não tem ninguém. Na semana passada, o secretário do Tesouro americano tinha uma audiência por telefone com o ministro Fernando Haddad às quatro horas da tarde, ele suspendeu a reunião com Fernando Haddad e foi atender o Eduardo Bolsonaro para contar mentira para ele lá nos Estados Unidos. Então o Brasil não quer ser tratado como moleque. O Brasil já tem maturidade suficiente para ser respeitado.”

Um dos principais ministros do governo Lula, Rui Costa, da Casa Civil, também criticou o parlamentar sem citá-lo diretamente. “O que o Brasil precisa é de deputado e senador que defenda o interesse do povo brasileiro, e tem que ser dito em todas as letras: não pode existir, porque não existe em nenhum lugar do mundo, um parlamentar que seja eleito pelo seu país, se mude para outro país e articule destruir o emprego do seu país, destruir a empresa do seu país e destruir a economia do seu país. Por isso, mais do que nunca, nós precisamos afirmar: o Brasil pertence ao povo brasileiro.”